China espera 'resultado positivo' de diálogo sobre Tibet

Mas a mídia estatal manteve a enxurrada de ataques ao líder espiritual exilado do Tibet

JOHN RUWITCH, REUTERS

04 de maio de 2008 | 12h20

O presidente da China disseesperar "resultados positivos" das conversações com enviados doDalai Lama, iniciadas neste domingo, mas a mídia estatalmanteve a enxurrada de ataques ao líder espiritual exilado doTibet. "Espero que desta vez os contatos produzam resultadospositivos", disse o presidente Hu Jintao, segundo a agência denotícias Xinhua. As conversações de paz entre autoridades chineses e doisassessores do Dalai Lama, as primeiras desde a irrupção deprotestos de tibetanos e de distúrbios que causaram mortes, emmarço, começaram a portas fechadas na cidade de Shenzhen, pertode Hong Kong. Os protestos, o mais sério desafio ao domínio chinês naregião montanhosa em quase duas décadas, desencadearammanifestações contra a China em vários países, prejudicando atrajetória da tocha olímpica e levando líderes ocidentais apedir o boicote dos Jogos de Pequim, que serão realizados emagosto. "Quando determinamos a posição de uma pessoa, não devemosapenas ouvir o que ela diz, mas também observar suas ações",disse Hu a um grupo de repórteres japoneses em Pequim, antes desua visita ao Japão. "A porta para o diálogo sempre esteve aberta. Nóssinceramente esperamos que o lado do Dalai possa mostraratravés de atos que pararam de fato com as atividadesseparatistas, interromperam conspirações para incitar aviolência e deixaram de sabotar as Olimpíada de Pequim",afirmou Hu. Isto iria "criar condições para a próxima rodada dediálogo", acrescentou Hu. A segurança era cerrada no edifício estatal onde estariamsendo mantidas as conversações em Shenzhen e repórteres nãotinham permissão para entrar no local. "A reunião se realizou esta manhã, continuará amanhã epossivelmente no dia seguinte. Esperamos que seja retomada nodia 7 ou 8 de maio", afirmou neste domingo à Reuters TenzinTaklha, assessor do Dalai Lama. "Esperamos que os chineses sejam sérios sobre asconversações e esperamos que os chineses queiram examinar osproblemas no Tibet." Um editorial no Tibet Daily, porta-voz do governo regionaldo Tibet, acusou o Dalai de ser "uma ferramenta leal às forçasinternacionais antichinesas" e de tentar separar o Tibet daChina. (Reportagem adicional de Guo Shipeng e Benjamin Kang Lim,em Pequim, e Abhishek Madhukar, em Dharamsala)

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