Lam Yik Fei / The New York Times
Lam Yik Fei / The New York Times

China envia tropas e blindados para província na divisa com Hong Kong

Jornal oficial do Partido Comunista diz que polícia militar chinesa está em Shenzhen de prontidão para lidar com ‘distúrbios e violência’

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2019 | 14h55
Atualizado 13 de agosto de 2019 | 20h48

WASHINGTON - Veículos de comunicação estatais da China divulgaram vídeos que mostram tropas em blindados militares seguindo para Shenzhen, província do sudoeste do país que fica na divisa com Hong Kong. Ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos , Donald Trump, informou nesta terça-feira pelo Twitter que, segundo a Inteligência americana, a China está transferindo tropas para o território semiautônomo.

O jornal oficial do Partido Comunista chinês, People’s Daily, publicou em seu perfil nas redes sociais uma declaração na qual diz que a polícia militar do país estava em Shenzhen pronta para lidar com “distúrbios, grande violência e crimes e questões de segurança social relacionadas ao terrorismo”. 

A ameaça de uma possível intervenção do governo chinês para pôr fim à onda de protestos no país ficou mais clara na noite de segunda-feira, quando o jornal controlado por Pequim Global Times publicou um vídeo das forças policiais chinesas se dirigindo para Shenzhen. 

De acordo com a rede americana CNBC, as redes sociais da edição chinesa do Global Times publicaram hoje um post no qual afirmam que se os manifestantes de Hong Kong não “lerem o sinal” dos policiais chineses armados em Shenzhen, então eles estão “pedindo pela autodestruição”.

Também nas redes sociais, o editor-chefe do jornal, Hu Xijin, disse que a presença militar é um sinal de que, se a situação em Hong Kong não melhorar, a China intervirá.

O vídeo compartilhado pelo Global Times e também pelo People’s Daily tem cerca de um minuto e compila imagens de blindados com pessoal armado seguindo para Shenzhen. As imagens mostram ao menos duas dúzias de blindados aparentemente circulando pela cidade, assim como outros veículos de transporte de tropas deixando a Província de Fujian, a 600 km de Hong Kong. 

Em sua postagem na conta oficial da presidência americana, Trump não deixou claro se estava relatando novos movimentos ou os mesmos divulgados pela mídia estatal chinesa. 

“Nossa inteligência nos informou que o governo chinês está transferindo tropas para a fronteira com Hong Kong. Todos devem permanecer calmos e a salvo!”, escreveu Trump. 

 

As autoridades chinesas têm divulgado uma série de declarações sobre os manifestantes na província, afirmando que o “terrorismo” estava emergindo na cidade. 

Hoje, a polícia de Hong Kong entrou em um aeroporto e confrontou manifestantes pela democracia, realizando prisões. Os protestos tiveram uma escalada da violência entre os manifestantes e a polícia da província semiautônoma, que usou spray de pimenta e golpes de cassetetes para afastá-los. 

 

Manifestantes entraram em confronto com a polícia no Aeroporto Internacional de Hong Kong após voos serem suspensos pelo segundo dia, criando uma confusão ainda maior no território.

O conflito teve início durante a noite entre a polícia e os manifestantes, depois que uma pessoa ferida foi tirada do terminal principal por médicos. Vários veículos da polícia foram bloqueados por manifestantes e a tropa de choque entrou em ação, empurrando alguns manifestantes de volta e usando spray de pimenta em meio ao confronto. Os manifestantes também bloquearam algumas passagens no aeroporto usando carrinhos de bagagem e outros objetos.

Os protestos começaram no início de junho, quando milhões de pessoas saíram às ruas contra um projeto de lei que autorizava extradições para a China. A lista de demandas se ampliou e passou a incluir o pedido da garantia de liberdades e a não ingerência de Pequim no território, devolvido pelo Reino Unido à China em 1997. 

Para entender

O governo chinês avalia os riscos de uma repressão nos moldes da Praça da Paz Celestial (Tiananmen) contra os protestos em Hong Kong que, para analistas, teria catastróficas consequências econômicas e políticas. A brutal repressão da China aos protestos pró-democracia em 1989 levou à paralisia da economia nacional por dois anos, já que o país se tornou um pária internacional. Os efeitos colaterais de uma intervenção similar em Hong Kong seriam mais duros. A estabilidade de longo prazo de Hong Kong, um centro financeiro internacional, é fundamental para o bem-estar da economia chinesa. / AFP, W. POST, REUTERS 

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