China estimula Coreia do Norte a aceitar inspeções nucleares

Medida seria forma de aliviar tensões internacionais elevadas pela crise com a Coreia do Sul

Reuters

21 de dezembro de 2010 | 08h54

PEQUIM - A China pediu nesta terça-feira à Coreia do Norte que cumpra sua promessa de permitir a volta de inspetores nucleares da Organização das Nações Unidas (ONU) ao país, como forma de aliviar as tensões internacionais em meio à atual crise com a Coreia do Sul.

 

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Única aliada da Coreia do Norte, a China tem continuamente defendido o diálogo como forma de resolver o impasse, e reluta em recriminar o vizinho pelo bombardeio do mês passado a uma ilha sul-coreana, que matou dois civis e dois militares.

Na segunda-feira, a Coreia do Sul realizou exercícios militares com munição real nessa mesma ilha, gerando temores de uma retaliação norte-coreana, o que não aconteceu.

No mesmo dia, o político americano Bill Richardson retornou de uma viagem extraoficial a Pyongyang dizendo ter recebido a promessa de que o regime comunista local autorizaria a volta dos inspetores da ONU às suas instalações nucleares.

Aproveitando esse impulso, uma porta-voz da chancelaria chinesa disse em Pequim que "a Coreia do Norte tem o direito de usar a energia nuclear para propósitos pacíficos, mas também ao mesmo tempo precisa autorizar a entrada dos inspetores da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica)."

"Todas as partes devem perceber que os disparos de artilharia e a força militar não podem resolver as questões na península, e que o diálogo e a cooperação são as únicas abordagens corretas", acrescentou a porta-voz Jiang Yu.

Analistas dizem, no entanto, que a volta dos inspetores nucleares não garante a transparência do programa nuclear norte-coreano, já que possivelmente existem instalações atômicas secretas além da usina de Yongbyon, a única oficialmente declarada.

Recentemente, a Coreia do Norte exibiu a um cientista norte-americano centrífugas voltadas para o enriquecimento de urânio, o que poderia dar ao país um segundo caminho para a produção de armas atômicas, paralelamente ao enriquecimento de plutônio.

A Coreia do Norte rejeita desde 2002 a supervisão completa da AIEA, e em abril do ano passado expulsou todos os inspetores nucleares. Analistas dizem que o regime comunista costuma usar esse tipo de manobra para ter uma maior margem de barganha em eventuais negociações.

Os norte-coreanos já testaram armas nucleares, mas alegam que as suas novas atividades de enriquecimento de urânio estariam voltadas apenas para a produção de combustível nuclear civil.

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