China estuda democratização de Hong Kong em 2017

A capital deverá cumprir condições impostas pela Assembléia Nacional Popular (ANP)

Efe

29 de dezembro de 2007 | 05h07

O Governo da China não permitirá que Hong Kong, sob soberania chinesa desde 1997, eleja o chefe do seu Executivo em 2012 pelo voto direto, mas estuda a possibilidade para 2017, segundo a decisão anunciada neste sábado pela Assembléia Nacional Popular (ANP), principal órgão legislativo do regime chinês, que emitiu um texto final sobre as eleições na região especial. "As eleições de 2012 para escolher o quarto chefe executivo não serão por voto direto", diz o texto. Mas a ANP abriu as portas para a democratização em 2017, "se as condições adequadas forem cumpridas". Pela decisão da ANP, "antes da seleção de um chefe executivo por voto direto, Hong Kong enviará um relatório ao Comitê Permanente da Assembléia Nacional Popular sobre a emenda do método de eleição". A decisão, segundo o atual chefe executivo da ex-colônia, Donald Tsang, nomeado por Pequim, é "o passo mais importante" para o futuro político de Hong Kong. Tsang, em entrevista coletiva, disse que Hong Kong "deve agradecer pela decisão e dar as boas-vindas a Pequim", que estaria procurando um consenso entre os legisladores próximos ao regime comunista e os pró-democracia. Wu Bangguo, presidente da ANP e segundo homem na hierarquia do regime comunista, destacou em Pequim que a decisão é "fundamental para a prosperidade e a estabilidade de Hong Kong". Hong Kong também não teve sistema democrático enquanto esteve sob soberania britânica. Na época, o governador era designado pelo Reino Unido. Na sua devolução à China, em 1997, veio a promessa de um alto grau de autonomia e a possibilidade, a médio prazo, de eleger seus governantes. Apesar disso, nos 10 anos de soberania chinesa, o sistema ainda não mudou. As eleições só servem para escolher metade dos 60 membros do Conselho Legislativo. O chefe executivo é designado por um comitê não eleito, formado em sua maioria por membros próximos ao Governo chinês. A China aplica em Hong Kong e Macau, o princípio de "um país, dois sistemas". As duas regiões especiais gozam de ampla autonomia política e econômica, mas não nas áreas de Defesa e Relações Exteriores.

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