China estuda retaliações contra política dos EUA

Autoridades chinesas estudam a possibilidade de retaliar produtos dos Estados Unidos diante da política pró-Taiwan da administração de George W. Bush, que vem se fortalecendo nas últimas semanas. De acordo com o jornal Mingpao, de Hong Kong, entre as medidas que estão sendo consideradas estão a redução das importações de produtos agrícolas como soja, trigo e milho, e a adoção de inspeções mais restritivas e quarentenas mais rígidas para esses produtos. O governo chinês também ameaça desistir de comprar aviões da Boeing e dar preferência à européia Airbus Industrie.Segundo o jornal, Pequim estaria se preparando para acusar o governo americano de repetidamente violar acordos formalizados em 1972 pelos quais os EUA prometeram sustentar a política chinesa para Taiwan, considerada uma província rebelde pelo governo. Recentemente, Bush declarou que faria o necessário para ajudar Taiwan a defender-se, irritando autoridades chinesas.Na opinião de analistas, a visita feita pelo presidente Jiang Zemin à Líbia e ao Irã neste fim de semana foi uma demonstração de indignação para com a posição dos EUA. Os dois países do Oriente Médio fazem parte do que Bush chama de "eixo do mal".A polêmica não é recente. No ano passado a China acusou os EUA de terem "atravessado a linha vermelha" ao venderem armamento sofisticado para Taiwan. Naquela época também houve ameaças de retaliação. De acordo com previsões do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as importações de soja da China na safra 2001/2002 devem ser de 12 milhões de toneladas, um milhão de toneladas menos que na safra anterior. Geralmente, os EUA fornecem grande parte das compras chinesas do grão.

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