China executa 9 uigures por distúrbios étnicos de julho

Muçulmanos foram condenados por participar de confrontos que deixaram quase 200 mortos

Agência Estado e Associated Press,

09 Novembro 2009 | 12h04

Nove uigures (chineses muçulmanos) foram executados na China por participar de distúrbios entre etnias que deixaram quase 200 pessoas mortas em julho, segundo informou nesta segunda-feira, 2, a agência estatal China News Service.

 

Os nove foram mortos recentemente após uma revisão final dos veredictos da Suprema Corte do Povo, como exigido pela lei chinesa, segundo o veículo de comunicação estatal. O texto não cita datas nem outros fatos, embora saiba-se que estes foram os primeiros executados em função dos confrontos.

 

O grupo foi condenado por homicídio e outros crimes cometidos durante os distúrbios na capital provincial de Urumqi, no oeste do país. Foi o pior caso de violência étnica na China em décadas.

 

Centenas de pessoas foram detidas por causa dos conflitos, nos quais uigures atacaram membros da etnia majoritária do país, os Han, em 5 de julho. Dois dias depois, ocorreram ataques de retaliação.

 

Os uigures são um grupo étnico turco muçulmano linguística e culturalmente distinto dos Han. Muitos deles se ressentem pela linha-dura adotada por Pequim em Xinjiang, território tradicionalmente ocupado pelos uigures.

 

A China acusa grupos do exterior pelos distúrbios em prol de mais direitos para os uigures. Quatro meses depois da violência, a província de Xinjiang permanece sob forte segurança, com a internet e as ligações internacionais diretas bloqueadas.

 

O serviço estatal informa que outras 20 pessoas foram indiciadas nesta segunda-feira, por relação com as mortes de 18 pessoas e outros crimes cometidos durante os distúrbios. Todos os acusados citados pela matéria, exceto dois, tinham nomes geralmente usados pelos uigures. A dupla restante aparentemente seria Han.

 

O ativista uigur Dilxat Raxit, que vive no exterior, condenou as execuções, afirmando que tinham motivação política. Segundo Raxit, o regime busca também conter furiosos membros da etnia Han, que marcharam aos milhares em setembro pela cidade de Urumqi exigindo julgamentos contra os responsáveis pela violência de julho e por uma bizarra série de ataques com agulhas.

 

"Nós não acreditamos que eles tiveram um julgamento justo e acreditamos que esse foi um veredicto político", afirmou Raxit, que atua como porta-voz do Congresso Mundial Uigur, uma entidade sediada na Alemanha. "Os EUA e a União Europeia não puseram nenhuma pressão sobre a China nem tentaram intervir, por isso estamos extremamente desapontados", argumentou.

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