China exige fim de "vôos de reconhecimento" dos EUA

O governo chinês exigiu hoje o fim dos "vôos de reconhecimento" dos EUA nas proximidades do território chinês, além de desculpas e explicações dos norte-americanos pelo incidente iniciado no domingo, quando um avião-espião do tipo EP-3 teve de fazer uma aterrissagem de emergência na ilha chinesa de Hainan.O avião partira da base norte-americana de Okinawa e, segundo as autoridades chinesas, voava nos limites do espaço aéreo chinês, no Mar da China, quando foi interceptado por dois caças F-8 da Força Aérea chinesa. Um dos caças tocou o EP-3 em pleno ar. O choque danificou o avião norte-americano e derrubou o jato de combate chinês, dado como desaparecido.O presidente chinês, Jiang Zemin, exortou os EUA a não mais realizarem vôos militares tão próximos da China e a evitarem que incidentes semelhantes se repitam. "Não conseguimos entender o motivo de os EUA realizarem vôos de ´reconhecimento´ tão perto do território chinês", disse Jiang. Um porta-voz do Pentágono, almirante Craig Quigley, disse duvidar que os EUA irão suspender tais vôos ou pedir desculpas à China pelo incidente.O presidente norte-americano, George W. Bush, enviou um duro recado ao governo chinês, num pronunciamento transmitido pela TV. "Esse acidente tem o potencial de minar nossas esperanças de construir relações frutíferas e produtivas entre nossos dois países", disse Bush, tomando o cuidado de qualificar o pouso de emergência de "acidente". "Demos ao governo chinês o tempo necessário para que fizesse a coisa certa. Mas agora é hora de nossos homens e mulheres voltarem para casa e é tempo de o governo chinês entregar nosso avião", disse.A advertência de Bush deu-se depois de funcionários do Departamento de Estado norte-americano acusarem chineses de terem invadido o avião. De acordo com um funcionário da Marinha que pediu para não ter seu nome divulgado, satélites espiões dos EUA captaram imagens de militares chineses vasculhando o avião.Ao mesmo tempo, diplomatas norte-americanos reuniram-se com os 24 tripulantes do EP-3. Foi o primeiro contato de autoridades dos EUA com a tripulação do avião - que conta com equipamento eletrônico de espionagem de última geração - desde o início do incidente.Os funcionários dos EUA informaram Washington que os 21 homens e três mulheres que estão sob custódia da China não têm problemas de saúde e vêm recebendo bom tratamento por parte dos chineses, mas acrescentaram que não sabem quando os chineses permitirão seu retorno.Uma das maiores dúvidas de Washington, segundo os analistas, é sobre até que ponto a China saberá o que os EUA sabem dela. Especialistas acreditam que o período de aproximadamente 30 minutos entre o choque e o pouso do EP-3 pode ter sido suficiente para que a tripulação destruísse as evidências que pudessem comprometer o trabalho de espionagem.

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