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China exige que Japão liberte ativistas detidos em ilhas

Os 14 ativistas foram presos em região disputada pelos dois países

Reuters

15 de agosto de 2012 | 18h41

HONG KONG - A China exigiu que o Japão liberte imediata e incondicionalmente os 14 ativistas chineses detidos nesta quarta-feira, 15, em uma região disputada pelos dois países. O protesto dos ativistas e sua detenção pela Guarda Costeira japonesa ocorreram em um dia de fortes disputas diplomáticas por questões históricas, por ocasião do aniversário do final da Segunda Guerra Mundial (rendição do Japão).

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O vice-chanceler chinês, Fu Ying, se reuniu com o embaixador japonês em Pequim e telefonou para uma autoridade em Tóquio exigindo a libertação do grupo, segundo o site da chancelaria chinesa.

Cinco nacionalistas chineses, oriundos de Hong Kong, Macau e da China continental, foram detidos ao desembarcar em ilhas disputadas, segundo a Guarda Costeira. A agência chinesa de notícias Xinhua disse que, posteriormente, nove ativistas foram presos no seu barco. A imprensa japonesa também se referiu à detenção de um total de 14 manifestantes.

As ilhas disputadas ficam entre Taiwan e a ilha japonesa de Okinawa. O Japão as chama de Sensaku, e a China de Diaoyu.

Antes desse incidente o Japão havia apresentado um protesto oficial contra a Coreia do Sul por causa de declarações feitas pelo presidente do país, Lee Myung-bak, vistas por alguns como insultuosas ao imperador Akihito, do Japão.

E, num gesto que deve irritar os vizinhos do Japão, dois ministros japoneses fizeram uma visita a um polêmico templo de Tóquio que homenageia mortos em conflitos armados, inclusive alguns condenados por crimes de guerra.

As lembranças da ocupação militar japonesa em grande parte da China e da colonização da Coreia do Sul continuam vívidas, apesar das estreitas relações econômicas numa das mais prósperas regiões do mundo.

Ilhas desabitadas

O Japão protestou junto à embaixada chinesa em Tóquio por causa do desembarque nas ilhas disputadas, e o primeiro-ministro Yoshihiko Noda disse que seu governo vai lidar com o assunto de forma rigorosamente legal. A Xinhua acusou o Japão de estar causando uma nova onda de tensão, devido "aos clamores irresponsáveis e às tentativas de alguns políticos e ativistas japoneses de reivindicarem as ilhas, que (...) incontestavelmente pertencem à China".

As ilhas, desabitadas, são potencialmente ricas em gás. O capitão do barco que se aproximou delas disse a uma TV de Hong Kong que os ativistas passaram dez anos aguardando uma oportunidade para desembarcar lá.

Paralelamente, a disputa entre Japão e Coreia do Sul pela posse de outra ilha também vai se intensificando. Na sexta-feira passada, o presidente sul-coreano visitou o local.

Na terça-feira, Lee disse que o imperador Akihito, caso queira visitar a Coreia do Sul, deveria pedir desculpas sinceras pelo passado militarista japonês, e que repetir a expressão "lamentar profundamente", que ele usou em 1990, não será suficiente.

Ele disse que o Japão é um importante parceiro da Coreia do Sul, mas que a história "atrapalha a marcha comum rumo a um amanhã melhor".

O Japão, além de protestar formalmente junto a Seul, disse que nunca discutiu a possibilidade de Akihito visitar a Coreia do Sul. O imperador passou grande parte das últimas duas décadas tentando curar feridas de uma guerra travada em nome do seu pai, o imperador Hirohito.

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