Tomas Munita/The New York Times
Tomas Munita/The New York Times

China expande sua presença no Suriname

Comunidade chinesa representa cerca de 10% da população; empréstimos a juros baixos reforçam influência de Pequim no país sul-americano

Simon Romero, do The New York Times, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2011 | 00h00

O elegante novo escritório do Ministério das Relações Exteriores do Suriname foi um presente do governo chinês. Alicerçada na onda de imigração para o país sul-americano na década de 90 e reforçada por empréstimos a juros baixos, a China estabeleceu silenciosamente uma sólida presença no Suriname, país muitas vezes ignorado até pelos vizinhos.

Embora o auxílio econômico tenha sido sem dúvida bem recebido no Suriname, antes conhecido como Guiana Holandesa, a crescente presença política e demográfica dos chineses no país criou preocupações. Campanhas xenofóbicas promovidas por líderes políticos pedem a investigação da suposta "invasão chinesa". Os mais moderados pedem avaliações dos efeitos que a crescente influência chinesa terá num país que já é distante do restante da América do Sul em termos culturais e idiomáticos.

A China insiste que não tem planos de fazer do Suriname uma colônia de facto, e defende sua influência como um reflexo de sua solidariedade com outro país em desenvolvimento. Ainda assim, representantes do governo chinês reconhecem que o Suriname apresenta um potencial riquíssimo. "O Suriname é um país de sorte, pois conta com uma pequena população e muita terra", disse Yuan Nansheng, embaixador chinês no país.

A China, que teve boas relações com os governos anteriores, também alimentou uma relação de proximidade com o presidente Desi Bouterse. Acusado de tráfico de cocaína na Holanda, ele era fugitivo da Interpol até ser eleito pelo Parlamento do Suriname no ano passado.

Embora seja difícil conseguir números precisos, acredita-se que a China tenha emergido como o principal fornecedor de ajuda ao Suriname depois que a Holanda convenientemente encerrou seus investimentos na época da eleição de Bouterse.

A permanência de trabalhadores chineses ilegais tem levado ao debate sobre o direito das empresas chinesas de trazer seus próprios trabalhadores para o país, possivelmente tirando empregos de alguns surinameses.

As estimativas sobre os chineses que vivem no Suriname variam, mas a embaixada da China diz que eles são cerca de 40 mil, ou 10% da população do país, incluindo legais e ilegais. A comunidade chinesa tem dois jornais e uma emissora de TV que transmite programas em mandarim.

A recente onda de imigração chinesa tem sido mais notável, em parte porque muitos dos recém-chegados estão envolvidos com o comércio, em contraste com os brasileiros, outro grupo imigrante de rápido crescimento do Suriname, que trabalham principalmente em minas de ouro no interior do país.

Especialistas em imigração dizem que as preocupações sobre a influência da China no Suriname são exageradas. Eles destacam que, em termos absolutos, mais chineses se mudaram para países vizinhos como Brasil e Venezuela.

Em um país do tamanho do Suriname, porém, o fluxo de imigrantes não pode ser ignorado. "O Suriname é basicamente uma aldeia com um assento nas Nações Unidas", disse Paul Tjon Sie Fat, especialista da Universidade de Amsterdã, que escreveu sobre a influência chinesa no país sul-americano. "Toda pequena mudança no equilíbrio étnico ou social é imediatamente percebida."

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