China: expulsão de Bo é 'lição profunda', diz PC chinês

Os preparativos para a abertura do 18º Congresso do Partido Comunista da China, na quinta-feira, já foram concluídos, afirmou Cai Mingzhao, porta-voz do partido. O Congresso definirá a transição da liderança no país, processo que acontece uma vez a cada década. Nesta quarta-feira, comunistas veteranos que vieram da China inteira para a abertura do Congresso em Pequim disseram que a expulsão de Bo Xilai, político graduado do partido envolvido em um escândalo de corrupção, é uma "lição profunda".

AE, Agência Estado

07 de novembro de 2012 | 14h33

O evento dura sete dias e termina em 14 de novembro. Estima-se que o presidente, Hu Jintao, entregue a função de líder do partido para Xi Jinping, indicado por ele. A maneira como o partido lidou com o caso de Bo Xilai, que era um dos candidatos à sucessão antes de cair em desgraça, ressalta determinação do PC chinês em perseguir a corrupção, não importa a graduação dos políticos na estrutura da hierarquia, disse Cai, que também é porta-voz do 18º Congresso do Partido Comunista da República Popular da China.

Bo era um dos políticos de perfil mais cotado para a sucessão, quando caiu em desgraça em 2011, após o escândalo que envolveu sua esposa, Gu Kailai, acusada e condenada por assassinar o empresário britânico Neil Heywood, de 41 anos. Bo foi expulso do Partido Comunista e atualmente é processado por acusações não detalhadas, embora já tenha sido acusado por corrupção, abuso de poder e por encobrir o crime cometido pela esposa, que foi sentenciada à prisão perpétua por ter envenenado Heywood.

"Os problemas envolvendo Bo Xilai e outros casos de corrupção são sérios entre a liderança do partido, mas nós oferecemos uma profunda lição sobre como esses casos estão sendo tratados", disse Cai.

Cai disse que o 18º Congresso que abrirá na quinta-feira abordará a corrupção, ao mesmo tempo que discutirá novas medidas que o Partido Comunista planeja adotar na educação, prevenção (de casos de corrupção), supervisão do funcionamento da máquina estatal e punições para corruptos.

O Congresso Nacional ocorre apenas uma vez a cada cinco anos e o deste ano realizará a transição política para a geração que governará a China na próxima década, liderada por Xi Jinping. Xi enfrenta uma série de pedidos de professores universitários, intelectuais e cientistas políticos para realizar reformas no judiciário e tornar o sistema chinês mais transparente.

Cai indicou que o Partido Comunista é a força propulsora que está por trás do espantoso crescimento econômico da China e que qualquer reforma política não subverterá o poder do partido. "A China conquistou ganhos no desenvolvimento observado pelo mundo inteiro. Isso reverte à forte liderança do Partido Comunista e ao fato de que o sistema de partido (único) reflete a realidade nacional chinesa", disse.

Durante os próximos sete dias, a partir da quinta-feira, os 2.270 delegados do Partido Comunista irão deliberar sobre o trabalho político da instituição para os próximos cinco anos, elaborar um relatório e revisar a Constituição partidária.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.