China fala em negociar a paz com Taiwan

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, disse na quinta-feira que seu país está disposto a criar as condições necessárias para um acordo de paz com Taiwan, ilha que há décadas Pequim considera ser uma província rebelde. Em discurso proferido ao Parlamento, Wen disse também que a China quer discutir questões militares com Taiwan, reduto dos nacionalistas chineses derrotados em 1949 pelos comunistas numa guerra civil. As declarações de Wen, embora não representem uma grande mudança na política oficial de que há "uma só China", demonstra a reaproximação entre os dois lados desde que Ma Ying-jeou foi empossado como presidente taiuanês, em maio. Ma representa uma corrente política favorável a uma reaproximação com Pequim, ao contrário de outro grupo, que prega a formalização da independência da ilha. O governo de Taiwan afirmou que um eventual acordo teria de beneficiar ambas as partes, mas acrescentou que a ilha, afetada pela recessão global, prefere fazer acordos econômicos com a China, importante parceira comercial, antes de definir tratados políticos. "Um tratado de paz tem vantagens para ambos os lados", disse Tony Wang, porta-voz de Ma. "Mas nosso pensamento é em primeiro lugar buscar acordos econômicos, e os políticos depois." Tradicionalmente, a China não descarta o uso da força para reconquistar Taiwan, que no entanto recebe proteção dos EUA. Em seu discurso na abertura da sessão legislativa deste ano, Wen disse que "as relações através do estreito (marítimo de Taiwan) embarcaram na trilha do desenvolvimento pacífico". "Vamos trabalhar com base no princípio de uma só China para ampliar a confiança política mútua ... Também estamos preparados para um diálogo sobre questões políticas e militares através do estreito, e para criar condições para acabar com o estado de hostilidade e de concluir um acordo de paz entre os dois lados do estreito de Taiwan". Desde sua eleição, Ma defende um tratado com Pequim. As declarações de Wen estimularam o mercado acionário e cambial de Taiwan. A Bolsa local fechou o pregão com alta de 2,11 por cento, e a moeda local, que caíra 6,39 por cento frente ao dólar desde o começo do ano, tinha uma ligeira alta na metade da tarde. "Não só para Taiwan, para os mercados do mundo todo essa é uma boa notícia", disse Cheng Cheng-mount, economista do Citigroup, em Taipé. "Para Taiwan, está de acordo com as expectativas, já que o governo de Taiwan assumiu esse caminho há algum tempo." Nas últimas seis décadas, China e Taiwan estiveram várias vezes próximos de uma guerra. Desde a posse de Ma, porém, há uma notável reaproximação, inclusive com o estabelecimento de voos comerciais diários, rotas de navegação e serviços postais. (Reportagem de Ben Blanchard em Pequim e Ralph Jennings em Taipé)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.