China faz educação política no Partido Comunista no Tibete

Reagindo à crise, governo chinês lança campanha entre funcionários e líderes para combater o separatismo

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo,

21 de abril de 2008 | 16h36

O governo chinês decidiu reagir à crise no Tibete com uma ortodoxa campanha de educação política dos funcionários públicos e líderes do Partido Comunista na região cujo lema será "combater o separatismo, proteger a estabilidade e promover o desenvolvimento". As autoridades locais também serão submetidas a uma avaliação de sua performance no período de cinco semanas decorridas desde o início dos protestos em Lhasa, no dia 14 de março. Veja também:Chineses reagem aos protestos A região continua fechada para turistas chineses e estrangeiros e planos de retomar as viagens no dia 1º de maio foram abandonados. O governo afirma que a situação será normalizada "logo", mas ainda não fixou uma nova data. O adiamento é um indício de que a situação no Tibete continua tensa, com os monges budistas submetidos à extrema vigilância ea uma "campanha de educação patriótica", que foi intensificada depois dos protestos. A campanha nos mosteiros acaba reforçando a insatisfação e agravando o conflito entre os religiosos e Pequim. Os monges são obrigados a denunciar o dalai-lama, o principal líder espiritual do Tibete, apontado pela China como o arquiteto das demonstrações que ultrapassaram as fronteiras da região e se espalharam pelas províncias vizinhas de Gansu, Sichuan e Qinghai O dalai-lama nega o envolvimento com os protestos e se declara contra o boicote dos Jogos de Pequim, defendido por muitos dos grupos que se manifestaram durante o percurso mundial da Tocha Olímpica, iniciado no dia 3 de abril. Segundo o jornal oficial Diário Tibetano, o objetivo da nova campanha política será "unificar o pensamento e a força de coesão dos oficiais e das massas, aprofundar a luta contra o separatismo e contra-atacar o plano separatista da camarilha do dalai-lama". Os protestos do mês passado foram os mais violentos contra o controle do Tibete pela China desde 1989, quando Pequim impôs a lei marcial na região por um período de 13 meses.  A nova campanha de educação política tem o intuito de reforçar a disciplina na região e aumentar o grau de comprometimento dos líderes locais com as diretrizes fixadas por Pequim e a cúpulado Partido Comunista.

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