China faz prisões no Tibet; Bush defende diálogo

As autoridades chinesas prenderam váriostibetanos para serem interrogados em Lhasa depois dasmanifestações contra o regime comunista, disse à Reuters naquarta-feira uma fonte em Pequim. Também na quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos,George W. Bush, conversou por telefone com seu colega chinês,Hu Jintao, a quem pediu que estabeleça um diálogo com o DalaiLama. Hu disse que a China não conversará com um homem a quemacusa de fomentar protestos violentos e tentar sabotar aOlimpíada deste ano. De acordo com um porta-voz da Casa Branca, Bush tambémestimulou Hu a aceitar a presença de jornalistas e diplomatasestrangeiros no Tibete. Hu, ex-dirigente do Partido Comunista no Tibete, já haviaesmagado uma revolta regional no final da década de 1980. Eledefendeu a nova onda de repressão. "Nenhum governo responsável, diante de tais atos criminososviolentos, que são sérias violações dos direitos humanos, queabalam fortemente a ordem social e ameaçam seriamente a vida, apropriedade e a segurança das pessoas, ficaria apenas sentadoobservando", disse Hu a Bush, segundo o site do governo chinês. O Dalai Lama, que vive exilado na Índia desde 1959, negater organizado os distúrbios e afirma ser favorável a maisautonomia para o Tibete, mas não à independência. CONFRONTOS SE ESPALHAM Os confrontos se espalharam agora para a província deQinghai, a centenas de quilômetros de Lhasa, onde pessoas deorigem tibetana protestaram se sentando no chão depois de seremproibidas de realizar uma passeata, segundo essa fonte dePequim, que conversou com os moradores. "[A polícia] estava batendo nos monges [budistas], o que sóenfurece as pessoas comuns", disse a fonte, referindo-se aoprotesto de terça-feira no Condado de Xinghai, em Qinghai. Um morador confirmou a manifestação, dizendo queparamilitares dispersaram 200 a 300 manifestantes depois decerca de meia hora, que as forças de segurança ocuparam a áreae que pessoas foram orientadas a não deixar seus locais detrabalho. A repressão chinesa aos protestos gera indignação mundial.Na quarta-feira, o presidente do Parlamento Europeu questionouse os líderes do continente deveriam assistir à cerimônia deabertura da Olimpíada e convidou o Dalai Lama, líder espiritualtibetano exilado, a discursar perante os parlamentares da UE. O governo diz que 19 pessoas morreram em ataques contramigrantes de outras partes da China no Tibete durante osprimeiros dias dos distúrbios, há mais de duas semanas, até quehouvesse intervenção armada. Já o governo tibetano no exílio diz que 140 pessoasmorreram por causa da repressão em Lhasa e outras localidades--em geral tibetanos vítimas das forças do governo. Os protestos agora atingem províncias vizinhas, onde hágrande população de origem tibetana. A fonte de Pequim afirmou que as autoridades estão "levandoe interrogando qualquer um que tenha visto os protestos." "Asprisões estão cheias. Detentos são mantidos em prisões decondados fora de Lhasa." (Reportagem adicional de John Ruwitch e Jason Subler emPequim e Nigam Prusty e Bappa Majumdar em Nova Delhi)

BENJAMIN KANG LIM E LINDSAY BECK, REUTERS

26 de março de 2008 | 18h14

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