China fecha mercados de aves vivas para evitar disseminação de vírus de gripe

Autoridades sanitárias da China encontraram traços de um novo vírus da gripe aviária em mais áreas de Xangai e da vizinha cidade de Hangzhou, segundo relatos da mídia local neste sábado, enquanto funcionários prosseguiam com o abate de aves para evitar a disseminação do vírus, o qual já matou seis pessoas.

ADAM JOURDAN, Reuters

06 de abril de 2013 | 10h52

De acordo com a agência de notícia estatal Xinhua, as autoridades planejavam abater aves em dois mercados que as vendem ainda vivas em Xangai e em um outro em Hangzhou, depois que amostras do vírus H7N9 foram detectadas em animais nesses três locais.

Mais de 20 mil aves foram sacrificadas em um outro mercado de Xangai no qual esta semana foram encontrados traços do vírus.

Autoridades de Xangai, o centro financeiro da China, ordenaram neste sábado o fechamento de todos os mercados que vendem aves vivas, o que fez com que as barracas de comida ficassem vazias.

O governo também proibiu todo o comércio de aves em Nanquim, outra cidade situada no leste do país, embora funcionários dissessem que ali não foi encontrado nenhum indício do vírus da gripe aviária e os frangos vendidos no varejo estavam adequados para o consumo, segundo informou a mídia oficial.

A nova cepa da gripe aviária infectou 16 pessoas na China, todas no leste do país, e causou a morte de seis pessoas. O surto provoca preocupações no exterior e levou à venda de ações de companhias aéreas na Europa e em Hong Kong.

Não havia sinais de pânico em Xangai, onde viviam quarto dos seis mortos, e as pessoas na cidade dizem não estar preocupadas. Mas o sacrifício das aves, amplamente divulgado, na realidade mostrou para muitos o quanto o problema está próximo.

"Por ora, é só no andar de baixo", publicou Liu Leting, no Weibo, a versão chinesa do Twitter, a qual tem mais de 500 milhões de usuários. "De repente, descobri que estou vivendo em uma zona epidêmica!"

Em um restaurante da cidade uma garçonete disse que estavam pensando em parar de servir frango por causa do surto.

"Depois de vendermos os frangos do estoque, não vamos comprar outros e vamos parar de servir, por ora, pratos com frango", disse ela, que não quis identificar-se.

Embora não haja indícios de que o vírus seja transmissível de uma pessoa a outra, as autoridades na região continental da China e em Hong Kong disseram estar tomando medidas de precaução.

O governo de Hong Kong informou estar intensificando a fiscalização de viajantes e aves que entram na cidade.

O órgão chinês encarregado dos alimentos e remédios anunciou ter agilizado a aprovação da droga intravenosa antigripal Peramivir, produzida pela empresa de biotecnologia listada nos EUA BioCryst Pharmaceuticals Inc.

O Peramivir é alvo de experimentos de comprovação de sua eficácia contra as variantes de influenza tipo A e tipo B, informou o órgão chinês em um comunicado. A cepa H7N9 se insere no grupo de tipo A.

As autoridades de Xangai enfatizaram que o vírus H7N9 permanece sensível à droga Tamiflu e as pessoas diagnosticadas logo no começo da doença podem ser curadas. O Tamiflu é fabricado pela Roche Holding AG.

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