China fecha Tibet a turistas antes de festa do Partido Comunista

A China fechou o Tibet aos estrangeiros nos dias que precedem o aniversário de 90 anos do Partido Comunista Chinês, em 1o de julho, disseram agentes de viagem nesta quinta-feira. Muitos habitantes da etnia tibetana não aceitam o domínio chinês na região.

REUTERS

16 de junho de 2011 | 12h07

O governo chinês, preocupado com a instabilidade ou qualquer outra possível ameaça a seu governo, dominado apenas por um partido, o PC, teme a presença de estrangeiros em áreas de fronteira povoadas por minorias, as quais são denominadas de "regiões autônomas", Esse receio aumenta especialmente antes de aniversários politicamente contestados.

"É uma nova determinação por causa da celebração dos 90 anos de aniversário", disse à Reuters, sob condição de manter o anonimato, um agente de viagens em um grande hotel de uma rede ocidental na capital do Tibet, Lhasa. "Mesmo como parte de um grupo, estrangeiros não poderão entrar."

Uma agência de viagens com sede em Pequim afirmou que recebeu meses atrás a notificação de que estrangeiros não teriam permissão para entrar no Tibet em julho, mas esperava que a restrição fosse suavizada a tempo da realização de importantes festivais tibetanos, em agosto.

"Tivemos de efetuar muitos cancelamentos, mas não sabemos as razões por trás disso. Talvez tenha a ver com algo político", disse o agente de Pequim, por telefone.

Em maio, o governo chinês disse aos estrangeiros que não semeassem a instabilidade em sua vasta região da Mongólia Interior, depois que um raro protesto de mongóis, desencadeado pela morte de um pastor, atraiu a atenção internacional.

A porta-voz do Ministério de Relações Exteriores Jiang Yu disse que pessoas no exterior tinham um "outro motivo" e estavam tentando usar o incidente para "causar problemas".

Estrangeiros sempre precisam de permissão para viajar para o Tibet, mas periodicamente o governo coloca áreas da região fora do alcance de visitantes.

Em abril, as autoridades proibiram a entrada de estrangeiro em áreas habitadas por tibetanos na vizinha província de Sichuan. Segundo tibetanos exilados e ativistas, um monastério budista havia sido fechado na área depois que um jovem monge se matou pondo fogo no corpo.

Muitos moradores se ressentem do controle de Pequim sobre o Tibet e temem que o influxo de migrantes da etnia chinesa Han para a região reduza a participação da população de origem tibetana.

As tropas chinesas tomara o Tibet em 1950. Seu líder espiritual, o Dalai Lama, fugiu nove anos depois para a Índia, depois de um levante fracassado.

(Reportagem de Michael Martina)

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