Chinatopix via AP
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China ganha gestor com missão de melhorar sua imagem

Chefe do Escritório de Informação do Conselho de Estado será o principal responsável por retratar a China como uma força progressista no mundo

O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2018 | 05h00

O governo chinês escolheu um novo chefe de propaganda e sua missão não será simples. Xu Lin foi nomeado para liderar as operações de publicidade e melhorar a imagem da China. Aos 55 anos, desde 2016 ele liderava a Administração de Ciberespaço, principal órgão de vigilância e censura, tem boa reputação no Partido Comunista Chinês (PCC) e é homem de confiança do presidente Xi Jinping.

Agora, como chefe do Escritório de Informação do Conselho de Estado, Xu será o principal responsável por retratar a China como uma força progressista no mundo, durante um momento em que o país enfrenta críticas sobre suas práticas comerciais, acusadas de injustas, abusos dos direitos humanos e militarização de ilhas no Mar do Sul da China. 

Além disso, a mudança faz parte dos esforços de Pequim para melhorar o sistema de propaganda e censura no país, afetado por escândalos de corrupção que incluíram a queda de Lu Wei, antecessor de Xu, rotulado pelo governo como “tirânico” e “desavergonhado”. Desde que saiu do cargo, Lu foi acusado de receber “uma enorme quantidade de subornos” e aguarda julgamento.

Para a especialista em política chinesa Patricia Thornton, da Universidade de Oxford, a remodelação do órgão de propaganda estatal deve indicar também uma mudança no direcionamento político do país. “Talvez os chefes de propaganda da China não estivessem tão conscientes quanto deveriam estar de que estão agora falando com uma audiência global. E todos estamos ouvindo com muito mais atenção do que no passado”, ressaltou.

Potência

Segundo o analista político Chen Daoyin, a mudança reflete a confiança de Xi em Xu para fazer melhorias na área. “O trabalho de propaganda exagerou a ascensão da China como uma grande potência, e essa imagem parece pálida e pouco convincente depois que os EUA iniciaram uma guerra comercial com a China”, explicou, acrescentando que Xu é conhecido pelo pragmatismo e, provavelmente, vai ajustar a imagem do país para se tornar menos provocativa e conflituosa.

Desde que o presidente americano, Donald Trump, assumiu o cargo, em 2017, Pequim tem procurado criar um contraste entre os dois governos, enfatizando seu papel na promoção do livre-comércio e tratando de questões globais, como a mudança climática. Críticos apontam que tal posicionamento destoa do papel da China atualmente, como a mais restrita das maiores economias do mundo e líder nos níveis de poluição.

Sob o governo de Xi, Pequim adotou uma política externa mais assertiva, exibindo seu poder econômico, militar e tecnológico. Além disso, a suposta interferência política chinesa em países ocidentais tem provocado reações negativas. Segundo analistas, ao colocar homens de confiança em postos-chave, o presidente está tentando construir uma equipe leal e eficaz para melhorar a imagem da China.

Expansão

Xi também tem se esforçado para promover sua principal iniciativa, a One Belt, One Road (Um Cinturão, uma Estrada), que busca ligar a China a outras partes de Ásia, Europa, África e além, através de projetos de infraestrutura e transporte. Enquanto isso, a mídia chinesa, controlada pelo Estado, tem se expandido pelo exterior, na esperança de combater as imagens desfavoráveis do país e promover a posição de Pequim como líder em questões políticas, econômicas e culturais do mundo.

Xu foi substituído por Zhuang Rongwen, que também foi assessor do presidente. É esperado que sua atuação no órgão tenha a mesma assertividade que seu antecessor em temas diplomáticos. / COM AP

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