China ignora convite e isola Coreia do Norte

Pequim não deve ter representante em lançamento do satélite norte-coreano, fundamental para consolidar o poder do novo líder do país, Kim Jong-un

CLÁUDIA TREVISAN, ENVIADA ESPECIAL / PYONGYANG, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2012 | 03h08

Principal aliada da Coreia do Norte, a China não deverá enviar observadores para o lançamento de satélite de Pyongyang. A ausência dos chineses coloca o regime norte-coreano em uma situação de total isolamento na decisão de manter seus planos.

"Eu não tenho nenhuma informação sobre o envio de especialistas chineses à Coreia do Norte", declarou ontem em Pequim o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Liu Weimin.

Segundo ele, a China espera que todos os envolvidos mantenham a calma e mostrem moderação, com o objetivo de preservar a estabilidade na região.

A Coreia do Norte convidou observadores de vários países para o lançamento de seu satélite, que deverá ocorrer em algum momento entre hoje e segunda-feira. Todos recusaram a proposta, entre os quais Rússia, Estados Unidos, Japão e Suíça.

Os integrantes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas sustentam que a decisão norte-coreana representa uma violação da Resolução 1.874, de 2009, que proíbe o país de lançar foguetes que usem tecnologia de mísseis balísticos.

O Unha-3, que levará um satélite ao espaço, tem origem no míssil Taepodong-2, que a Coreia do Norte testou pela primeira vez em 2006. O governo de Pyongyang afirma que o programa não tem natureza militar e é amparado em seu direito à exploração pacífica do espaço.

Expectativa. O mau tempo ontem eliminou as chances de o disparo ocorrer ontem, o primeiro dos cinco dias definidos por Pyongyang. Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão estão entre os principais críticos do projeto norte-coreano. Eles consideram o lançamento como uma fachada para um teste com míssil balístico, o que é rejeitado pela Coreia do Norte.

O mais isolado país do mundo se abriu para cerca de 180 jornalistas estrangeiros em um raro exercício de relações públicas, para tentar convencer o mundo do caráter pacífico do programa.

Especialistas estrangeiros que visitaram a plataforma de lançamento e o centro de controle do satélite acreditam que o disparo tem natureza civil, mas observam que há grande sinergia entre as tecnologias espacial e militar. O avanço em uma área permite aperfeiçoamentos na outra.

Jogo de poder. A época do lançamento foi escolhida para coincidir com o centenário de nascimento de Kim Il-sung, no dia 15. Avô do atual líder Kim Jong-un, ele é venerado como um semideus pelos norte-coreanos. O satélite é apresentado como um presente da população a seu "presidente eterno".

Se for bem sucedido, o lançamento também vai reforçar a legitimidade de Kim Jon-un, de 29 anos, que assumiu o país em dezembro, depois da morte de seu pai, Kim Jong-il.

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