Liu Jin/Efe
Liu Jin/Efe

China ignora TPI e recebe visita de presidente do Sudão

Pequim diz não ver problemas em receber Bashir, procurado por crimes contra a humanidade

, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2011 | 00h00

PEQUIM

O presidente do Sudão, Omar Bashir, foi recebido ontem em Pequim em meio a críticas de grupos de direitos humanos pelo fato de a China ter aceitado receber um líder cuja prisão foi decretada pelo Tribunal Penal Internacional da ONU. O governo chinês defendeu a visita, afirmando que Bashir lidera "um país amigo" e manifestou reservas quanto a ordem de captura.

Bashir foi obrigado a cancelar várias visitas oficiais desde que o TPI emitiu a ordem de prisão, em 2009, por genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade em Darfur, no oeste do Sudão. Foi o primeiro chefe de Estado ter a prisão decretada pela corte. A China não é signatária do TPI, ratificado por mais de 100 países, e não tem a obrigação de entregá-lo à Justiça.

A ONG Anistia Internacional afirmou que, ao não entregar Bashir ao TPI, a China pode "se tornar um abrigo seguro para supostos promotores de genocídio." O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hong Lei, assegurou ontem que Pequim "desaprova a violência cometida contra civis", mas deixou claro que a China não é parte do TPI e tem o direito de reservar a sua opinião sobre o processo contra o sudanês.

"Bashir visitou muitos outros países e foi bem recebido", afirmou Hong. "É bastante razoável que a China convide um chefe de Estado com quem tem laços diplomáticos", ressaltou.

Pelo menos 300 mil pessoas foram mortas e 1,8 milhão deixaram suas casas durante a guerra civil em Darfur, que eclodiu em 2003 entre rebeldes e o regime de Cartum, de acordo com estimativas da ONU.

Bashir desembarcou em Pequim na madrugada de ontem, um dia depois do previsto inicialmente, após o avião do sudanês ter dado meia volta sem nenhuma explicação. A aeronave partiu do Irã e, segundo funcionários sudaneses, o atraso da chegada foi motivado por "problemas técnicos." Bashir deve se reunir hoje com o presidente chinês, Hu Jintao.

O Sudão é o segundo maior sócio chinês na África e um dos principais fornecedores de petróleo. Cerca de 15 mil chineses trabalham no país. / EFEP

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