China impede mídia de transmitir notícias de Hong Kong

China impede mídia de transmitir notícias de Hong Kong

O esforço de controle do governo é tanto que pelo menos um homem foi detido por ter publicado informações sobre os acontecimentos

Estadão Conteúdo

30 de setembro de 2014 | 16h57

O governo central da China está impedindo a transmissão de notícias sobre os protestos pró-democracia em Hong Kong para o restante do país, em uma restrição tão ampla que nenhuma imagem das manifestações apareceu na mídia estatal. O esforço de controle do governo é tanto que pelo menos um homem foi detido por ter publicado informações sobre os acontecimentos.

Por outro lado, a imprensa de Hong Kong tem feito transmissões ao vivo e contínuas, mostrando estudantes desarmados tentando se proteger do gás lacrimogêneo e de pimenta com guarda-chuvas. Os manifestantes pedem mais democracia na ex-colônia britânica.

Esse contraste destaca as divergências no acordo de "um país, dois sistemas" que o Partido Comunista da China estabeleceu quando negociou o retorno de Hong Kong ao país, em 1997. A situação também reflete a extrema sensibilidade de Pequim à possibilidade de os protestos chegarem ao continente.

"As autoridades veem isso como questão de vida ou morte", afirmou Zhao Chu, colunista e analista independente que vive em Xangai. "Eles não veem isso como uma questão local, mas sim como um estopim que pode acabar com o mundo deles", acrescentou.

Em Hong Kong, os canais de televisão NOW e Cable TV têm feito coberturas em tempo real dos eventos e mostraram na última semana estudantes invadindo edifícios do governo e confrontos entre os jovens e policiais. O jornal local Apple Daily, por sua vez, tem em seu site um serviço que mostra imagens aéreas da multidão, capturadas por um drone.

Na China central, porém, as autoridades controlam a narrativa e qualquer informação sobre os protestos. A cobertura das manifestações tem sido limitada a âncoras de televisão lendo textos breves sem imagens ou fotos. Os relatos mencionam reuniões ilegais de pessoas em Hong Kong e esforços das autoridades para dispersá-las.

Também há censura nos microblogs, que impedem a publicação de expressões como "gás lacrimogêneo". O serviço de compartilhamento de fotos Instagram foi fechado na China durante o fim de semana.

O ativista Wang Long, que postou notícias sobre os protestos no serviço de mensagens WeChat, foi detido na segunda-feira na cidade de Shenzhen por suspeita de causar problemas, segundo seu advogado, Fan Biaowen.

"A maioria do público chinês não sabe o que está acontecendo em Hong Kong", afirmou o professor de jornalismo Zhan Jiang, que vive em Pequim. Fonte: Associated Press.

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