China impede protesto de pais de crianças mortas em tremor

Governo pede que jornalistas diminuam críticas sobre a qualidade da construção das escolas que desmoronaram

Agências internacionais,

03 de junho de 2008 | 08h44

A polícia chinesa dispersou nesta terça-feira, 3, uma manifestação de mais de cem pais que protestavam por causa da morte de seus filhos em escolas que desabaram durante o devastador terremoto do mês passado. Os pais, muitos deles exibindo fotografias dos filhos perdidos, reuniram-se perto de um tribunal em Dujiangyan, uma estância turística a noroeste de Chengdu, capital da província chinesa de Sichuan. Veja também:Mapa da destruição na China Entenda como acontecem os terremotos  Especial: antes de depois da tragédia  "Por quê?", gritavam alguns dos manifestantes em desespero. "Digam-nos alguma coisa", exigiam os pais enquanto a tropa de choque afastava o grupo do tribunal. Alguns deles ajoelharam-se diante da corte dizendo que queriam processar o governo. Os participantes da manifestação eram pais cujos filhos estudavam numa escola de Juyuan, perto de Dujiangyan, onde 270 estudantes morreram. A polícia local não se pronunciou sobre o protesto. Eles acreditam que as escolas tenham desabado por terem sido precariamente construídas. O terremoto de 12 de maio alcançou 7,9 graus na escala Richter e provocou a morte de pelo menos 69 107. Mais de 18.200 pessoas continuam desaparecidas e cerca de 5 milhões de chineses estão desabrigados. Acusações de crianças teriam morrido em desabamentos de escolas precariamente construídas têm alimentado revolta e atraído a atenção da população chinesa. A situação preocupa o governo central. O presidente da China, Hu Jintao, e outros funcionários do alto escalão da administração têm sido mostrados freqüentemente na televisão estatal visitando crianças em escolas improvisadas.  A demonstração aconteceu após a ordem do governo chinês para que os jornalistas diminuíssem o tom das críticas em suas reportagens sobre a construção das escolas de "tofu". Numa tentativa de conter a revolta da população, o governo pediu um inquérito para averiguar as causas da destruição de mais de 7 mil salas de aula no tremor. Oficiais afirmaram que qualquer culpado será punido severamente. Em algumas áreas, somente prédios de escolas ruíram, elevando as suspeitas de corrupção nas construções. Segundo a edição do jornal britânico Financial Times de segunda-feira, o governo ordenou que a imprensa diminua o criticismo em relação às construções de prédios públicos. A medida surgiu após uma reportagem que detalhava acusações de corrupção. O repórter afirmava que "os pais das crianças mortas não compreendem porque um único prédio ao redor da escola não ruiu." Recomeço Mais de 500 estudantes e professores da escola Weizhou, no distrito chinês de Wenchuan (Sichuan, sudoeste), epicentro do terremoto que atingiu o país em 12 de maio, retornaram às aulas, 21 dias depois da tragédia, informou a agência oficial Xinhua. Segundo a fonte, operários de reconstrução da província de Cantão alçaram um complexo de módulos de aço com uma superfície de 6.800 metros quadrados, resistente ao fogo e a terremotos, que permite abrigar novamente as classes. O novo edifício, de caráter temporário, permitirá a 300 adolescentes continuar sua preparação para o exame de acesso à universidade, enquanto outros 200 seguirão suas lições em cursos inferiores. "Trata-se do primeiro centro educativo que retoma aulas normais no distrito de Wenchuan, onde 14 mil jovens ainda seguem sem poder receber educação depois do terremoto, que destruiu a maioria de edifícios escolares", explicou Hu Zhengan, diretor do Escritório de Educação. Hu pediu às regiões vizinhas que acomodem em suas salas de aula o maior número possível de alunos, para impedir que estes passem mais tempo com seus estudos interrompidos. O novo instituto, cuja inauguração foi realizada na segunda com uma lembrança às vítimas do terremoto, dispõe de 35 salas de aula, 145 dormitórios e 10 professores.

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