China impõe condições para melhorar relações com Vaticano

A China manifestou hoje disposição de melhorar as relações com o Vaticano, mas para isto impôs condições: que seja resolvido o problema da ilha nacionalista de Taiwan e que não haja ingerência nos assuntos religiosos do país. O anúncio foi feito pelo porta-voz da chancelaria chinesa, Sun Yuxi, o qual indicou que a Santa Sé deve romper relações com a ilha de Taiwan, considerada parte da China, e abster-se de opinar sobre assuntos chineses - incluindo os religiosos. Os "contatos diplomáticos" entre o Vaticano e a China, explicou Sun Yuxi, não cessaram nem mesmo após a crise provocada pela canonização de 120 mártires em outubro do ano passado, criticada por Pequim. Em relação à mensagem enviada pelo papa João Paulo II, exortando a uma imediata retomada das relações, o porta-voz se limitou a dizer que "estamos estudando (o tema)". Na quarta-feira, o papa pediu pela primeira vez desculpas pelos erros passados e recentes cometidos pela Igreja Católica na China. Existem cerca de 10 milhões de católicos na China, divididos entre a Igreja clandestina - perseguida por sua fidelidade ao papa - e a oficial ou "patriótica", controlada pelo Partido Comunista, que não reconhece a autoridade do Vaticano e ordena seu clero com autonomia. A igreja oficial chinesa reagiu com frieza à mensagem com a qual o papa, entre outros temas, propôs o restabelecimento de relações diplomáticas. O pedido de desculpas do pontífice é um "bom sinal" e dá "esperanças", mas permanecem os problemas atuais, disse à Liu Bianian, vice-presidente da igreja "patriótica". Esses problemas seriam a recusa da Santa Sé em reconhecer o clero ordenado de modo autônomo e a canonização dos 120 mártires no ano passado.

Agencia Estado,

25 Outubro 2001 | 15h39

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