China indicia mulher de político por homicídio

Gu Kailai é acusada de envenenar britânico em Chongqing; caso provocou crise no PC chinês, considerada a pior desde o massacre da Praça Tiananmen

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 03h08

A Justiça da China indiciou Gu Kailai por homicídio doloso, informou ontem a mídia estatal. Gu é mulher de Bo Xilai, um dos políticos mais proeminentes da China, destituído do cargo de administrador da megacidade de Chongqing em março, ao tornar-se pivô de um dos maiores escândalos dos últimos tempos na política de Pequim.

A agência de notícias estatal Xinhua disse que Gu foi processada por autoridades da Província de Anhui. Segundo as autoridades chinesas, Gu e um funcionário de Bo, Zhang Xiaojun, são suspeitos de envolvimento na morte do empresário britânico Neil Heywood. Zhang também foi indiciado, segundo informações oficiais.

De acordo com a Xinhua, a investigação sobre o caso revelou que Gu e seu filho tinham "conflitos de interesses econômicos" com Heywood.

Gu acreditava que o empresário havia ameaçado a segurança de seu filho, segundo a agência Xinhua, e teria matado Heywood por envenenamento com o auxílio de Zhang. A imprensa estatal não divulgou o primeiro nome do filho de Gu.

Destituição. Bo, que era uma figura em ascensão na política chinesa, foi deposto do cargo de secretário-geral do Partido Comunista na cidade de Chongqing e, um mês depois, foi acusado de violar a disciplina do partido.

As medidas, consideradas incomuns por analistas políticos, mostraram a existência de fissuras no opaco mundo da política chinesa e abalaram as perspectivas de uma transição suave na liderança do país, que ocorre uma vez a cada dez anos e está prevista para começar no fim do ano.

Bo e Gu não foram encontrados para falar sobre o assunto desde que o governo anunciou que o casal estava sob investigação do Estado.

As informações sobre os indiciamentos foram divulgadas uma semana depois de um arquiteto francês que já foi amigo e conselheiro de Gu deixar o Camboja, onde vive, e ir para a China, segundo o governo cambojano com o objetivo de cooperar nas investigações sobre a morte de Heywood.

O arquiteto Patrick Henri Devillers e o empresário britânico eram parte de um pequeno grupo de amigos e conselheiros de Gu na cidade de Dalian, nordeste da China, na década de 90, época em que Bo foi prefeito da localidade.

O atual escândalo teve início quando o ex-chefe de política de Bo em Chongqing, Wang Lijun, pediu refúgio num consulado dos Estados Unidos na China, em fevereiro.

Entre as acusações que Wang fez contra seu ex-chefe está a de que Heywood, que morreu em Chongqing no ano passado, foi envenenado após uma discussão com Gu. / AE e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.