China inicia amanhã mudança de comando

Congresso do Partido Comunista passará a Xi Jinping e Li Keqiang as rédeas da segunda maior economia do mundo; ambos ficarão dez anos no poder

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2012 | 02h01

A China inicia amanhã a mais ampla mudança de comando em uma década, na transição de poder com maior impacto para o restante do mundo depois da eleição presidencial americana. Xi Jinping deverá ser aclamado como novo dirigente máximo da segunda maior economia do mundo ao fim do Congresso do Partido Comunista, previsto para durar uma semana.

Xi Jinping e o provável futuro primeiro-ministro, Li Keqiang, vão liderar o país pelos próximos dez anos, durante os quais terão de enfrentar diversos problemas que incluem desaceleração da economia, elevação da desigualdade social e aumento da pressão pela realização de reformas econômicas e políticas.

Os dois vão compartilhar o exercício do poder com outros cinco integrantes do órgão de cúpula do partido, o Comitê Permanente do Politburo. Alguns desses nomes são considerados certos, mas a identidade de todos só será revelada no dia seguinte ao encerramento do congresso, quando o novo comitê central, eleito pelos delegados, se reunirá para apontar os novos integrantes de organismos de direção do partido.

Os 2.270 delegados escolhidos em todo o país se reunirão no Grande Palácio do Povo amanhã para ouvir o último discurso que Hu Jintao fará na condição de secretário-geral do Partido Comunista, o cargo máximo da China, que será transferido a Xi Jinping na próxima semana.

Hu continuará a ocupar a presidência da China, que só será entregue ao sucessor em março, durante encontro do Congresso Nacional do Povo, a versão local de parlamento. A dúvida é se o atual líder manterá a posição de comandante da Comissão Central Militar, a exemplo do que fez seu antecessor, Jiang Zemin, que só transferiu o cargo dois anos depois da chegada de Hu à direção do partido.

A véspera da abertura do congresso está sendo marcada por uma série de manifestações em defesa da realização de reformas. O jornal semanal Economic Observer publicou no fim de semana texto do filho do ex-secretário-geral do partido Hu Yaobang em favor da adoção de um estado de direito.

"É um fato objetivo que o poder do partido e do governo está interferindo no Judiciário e muitas leis e regulamentos não estão de acordo com o espírito e requerimentos da Constituição", escreveu Hu Deping, que integra o Comitê Permanente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, órgão de aconselhamento do partido.

A agência de notícias Reuters publicou ontem reportagem segundo a qual Hu e Xi pressionam o partido a adotar um método mais democrático de escolha dos futuros líderes durante o encontro que começa amanhã. Os dois dirigentes defenderiam a ampliação do número de candidatos ao Politburo, atualmente com 25 membros.

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