Alexander F. Yuan/Reuters
Alexander F. Yuan/Reuters

China inicia investigação criminal contra Bo Xilai

Com o mandato parlamentar cassado, o ex-dirigente comunista perde a imunidade

Reuters

26 de outubro de 2012 | 19h15

PEQUIM - A China se apressou nesta sexta-feira, 26, em anunciar o início de uma investigação criminal contra o ex-dirigente comunista Bo Xilai, horas depois de divulgar a cassação do mandato parlamentar que lhe garantia imunidade.

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Bo Xilai, que já foi visto como potencial candidato à liderança máxima do país, poderá agora ser processado e possivelmente condenado a uma longa pena de prisão por acusações de corrupção e abuso de poder.

Em breve texto, a agência estatal de notícias Xinhua afirma que promotores "decidiram colocar Bo Xilai sob investigação por supostas infrações criminais". A matéria acrescenta que foram "impostas medidas coercitivas sobre ele, em concordância com a lei", numa aparente referência ao fato de que ele estaria agora oficialmente sob detenção.

A esposa de Bo Xilai, Gu Kailai, e um ex-chefe de polícia subordinado a ele, Wang Lijun, foram condenados judicialmente em um escândalo decorrente do assassinato de um empresário britânico na época em que Xilai era chefe do Partido Comunista na cidade de Chongqing, na região sudoeste. No mês passado, o governo acusou o ex-dirigente comunista de corrupção e de acobertar o homicídio.

A cassação e investigação do político foram divulgadas menos de duas semanas antes de um congresso partidário que encaminhará a sucessão na cúpula do regime comunista, o que ocorre a cada dez anos. Bo Xilai, de 63 anos, era cotado para integrar o primeiro escalão, até que o escândalo veio à tona, em fevereiro.

O carismático político, ex-ministro do Comércio, comandava desde 2007 o PC em Chongqing, onde suas políticas populistas e projetos envolvendo grandes gastos públicos lhe renderam a admiração de esquerdistas chineses.

A Xinhua não deu detalhes das acusações que Bo poderá enfrentar. A investigação foi anunciada horas depois da notícia da cassação do mandato de Bo como deputado. Como promotores e juízes da China estão subordinados às ordens do Partido Comunista, há pouca expectativa de que a investigação possa não resultar em um processo e condenação.

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