China inicia investigação sobre escravidão infantil

Governo apura denúncia de que crianças entre 9 e 16 anos eram vendidas para trabalhar em fábricas

Agência Estado e Associated Press,

01 de maio de 2008 | 11h50

A China está investigando se centenas de crianças, a maior parte delas com idades entre 9 e 16 anos, foram vendidas a fábricas na província de Guangdong, ao sul do país, nos últimos cinco anos para trabalhar como escravas.  A investigação foi aberta depois da publicação na segunda-feira de uma reportagem investigativa pelo Southern Metropolis, jornal estatal de Guangdong. Segundo o diário, as crianças eram "vendidas como repolhos" por seus pais a gangues que então as vendiam a agências de emprego ou diretamente a fábricas a centenas de quilômetros de suas residências.  A maior parte das crianças era de Liangshan, área agrícola pobre na província de Sichuan, no sudoeste, e trabalhava em fábricas na cidade de Dongguan, em Guangdong, assim como em Shenzhen e Huizhou. O jornal oficial China Daily citou o porta-voz de Dongguan, Wang Yongquan, segundo o qual "as autoridades trabalhistas e sindicatos vão investigar todas as companhias da cidade, o mercado de trabalho e as agências".  Ele disse que a polícia já havia resgatado mais de 100 jovens de casas alugadas e detido diversas pessoas. A agência oficial Xinhua disse que o governo de Dongguan investigou mais de 3 mil companhias envolvendo 450 mil indivíduos na cidade, mas que apenas umas poucas empresas e lojas pequenas empregavam trabalhadores temporários que poderiam tratar-se das crianças. "O governo tem uma atitude muito clara em relação ao uso ilegal de trabalho infantil e vamos coibi-lo resolutamente. Sempre que encontrarmos um trabalhador infantil, a empresa será investigada", disse Li Xiaomei, vice-prefeito de Donguan City. O governo também multará a empresa em até 50 mil yuans (US$ 7.200) se for pega, acrescentou.  A investigação é aberta menos de um ano depois de a imprensa chinesa ter revelado que crianças a partir de oito anos eram seqüestradas ou recrutadas em estações de ônibus e trens com falsas promessas de trabalho bem remunerado e vendidas a fábricas de tijolos na província central de Shanxi por cerca de US$ 65. As vítimas eram forçadas a trabalhar quase ininterruptamente, espancadas e privadas de pagamento, alimentos e cuidados médicos básicos.  O Southern Metropolis informou que as crianças de Liangshan recebiam apenas 2,5 yuans (US$ 0,30) por hora e eram forçadas a muitas horas de trabalho. Uma menina, Luo Siqi, de Liangshan, disse que recebia 4 yuans (US$ 0,50) por hora. Ao ser informada pela polícia que o dinheiro que ela pensou que estava mandando para casa pode não ter chegado a sua família, ela chorou, disse o jornal. "Meu pai e minha mãe me venderam; eu não quero voltar", disse a menina.

Tudo o que sabemos sobre:
Chinatrabalho infantilescravidão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.