AFP / NIKLAS HALLE'N
AFP / NIKLAS HALLE'N

China investe nas Novas Rotas da Seda

Ao todo, 65 países participam da iniciativa à qual os bancos chineses liberarão US$ 60 bilhões em empréstimos

O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2018 | 05h00

PEQUIM - As chamadas Novas Rotas da Seda são um conjunto de ambiciosos projetos de infraestrutura promovidos pelo governo de Pequim com o objetivo de consolidar as relações da China com a Ásia, a Europa e a África.

A iniciativa, lançada em 2013 pelo presidente Xi Jinping, é conhecida na China como "o cinturão e a rota", uma referência ao cinturão terrestre que une China e Europa através da Ásia Central, incluindo a Rússia, e a rota marítima que permite chegar à África e à Europa pelo mar. 

Ao todo, 65 países, que representam 60% da população e cerca de um terço do PIB mundiais, participam da iniciativa, acompanhada de enormes investimentos da China. 

+ Expansionismo da China recria a Rota da Seda

Em maio, Xi organizou em Pequim uma cúpula mundial sobre o tema, e prometeu 100 bilhões de iuanes (cerca de US$ 15,5 bilhões) para um fundo específico. 

Além disso, os bancos chineses vão conceder 380 bilhões de iuanes (cerca de US$ 60 bilhões) em empréstimos, anunciou o presidente chinês.

Esses são os principais projetos: 

Ferrovias. A China já está conectada por trem com cerca de 30 cidades europeias, em viagens que duram menos de três semanas. É um meio de transporte mais rápido que o navio, embora seja mais caro. 

Entre os novos projetos planejados, há uma linha férrea de 873 quilômetros para ligar a China à costa da Tailândia. 

No Quênia, a China também está financiando uma linha de 471 quilômetros que vai ligar Nairóbi, a capital, com o porto de Mombaça, na costa do Índico.

Portos. Na Turquia, três empresas públicas chinesas compraram o terceiro porto mais importante do país, Kumport, perto de Istambul, considerado um importante elo entre o cinturão e a rota

No Paquistão, há um projeto de unir o porto de Gwadar, perto da fronteira com o Irã, ao oeste da China, graças à renovação de 500 quilômetros de estradas. 

Este porto vai facilitar o acesso dos produtos chineses ao Oriente Médio em relação à rota atual, que atravessa o Estreito de Malaca, entre a Malásia e a Indonésia. Este projeto também inclui a construção de um aeroporto em Gwadar. 

Contudo, a Índia foi contrária porque parte da infraestrutura atravessa a região da Caxemira, reivindicada pelo governo indiano.

Parques industriais. Em Minsk, a capital da Bielorrússia, a China está construindo um parque industrial de alta tecnologia, o maior já lançado no exterior pelas autoridades chinesas. 

Um projeto similar está em construção em Kuantan, na Malásia, para tratar o aço, alumínio e óleo de palma. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.