China investiga ex-chefe da segurança interna por corrupção

Caso envolvendo Zhou Yongkang, político do Partido Comunista chinês, pode se tornar um dos piores escândalos do país

O Estado de S. Paulo

29 de julho de 2014 | 08h55

PEQUIM - A China abriu uma investigação contra o ex-chefe de segurança interna Zhou Yongkang, um dos políticos mais poderosos da década passada, por suspeita de corrupção, informou a mídia estatal nesta terça-feira, 29, no que pode se tornar um dos piores escândalos do país.

O Partido Comunista decidiu investigar Zhou por suspeitas de "sérias violações disciplinares", disse a agência de notícias estatal Xinhua em um breve comunicado. A investigação será conduzida pelo órgão anticorrupção do partido, o Comitê Central de Inspeção Disciplinar, e a decisão foi tomada em conformidade com as regras constitucionais do partido, acrescentou a Xinhua.

Zhou, de 71 anos, é o mais graduado político chinês a ser relacionado em um caso de corrupção desde que o Partido Comunista assumiu o poder em 1949.

Em dezembro, a Reuters noticiou que Zhou foi colocado sob virtual prisão domiciliar enquanto o partido investigava as denúncias de corrupção contra ele.

Zhou foi membro do Comitê Permanente do Politburo da China - a cúpula do poder no país - e possuía um imenso poder no cargo da segurança. Ele se aposentou em 2012.

Durante o mandato de cinco anos como chefe de segurança, Zhou foi responsável pelas forças policiais, o aparato civil de inteligência, a polícia paramilitar, além de juízes e procuradores. O orçamento de segurança interna chegou a ser maior do que os gastos em defesa.

Mas Zhou se tornou poderoso demais e foi rebaixado durante uma mudança total na liderança do partido em 2012. Na época, surgiram rumores de que Zhou teria hesitado em tomar medidas contra Bo Xilai, antigo candidato a líder do partido, envolvido em um escândalo surgido depois de denúncias de que sua mulher havia assassinado um executivo britânico.

Ao ordenar a investigação, o atual presidente chinês, Xi Jinping, quebrou uma regra não escrita, pela qual se entendia que ex-membros do Politburo não seriam investigados após a aposentadoria. Zhou não pôde ser localizado para comentar e não ficou claro se ele está está sendo representado por um advogado. /REUTERS

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