China irá listar locais legais para cultos e extinguir os ilegais, diz Xinhua

A China irá publicar na Internet os detalhes de locais religiosos legais, informou neste sábado a agência oficial de notícias Xinhua, aparentemente em uma tentativa de identificar grupos não sancionados como parte de um esforço para “extinguir atividades religiosas ilegais”.

PETE SWEENEY, REUTERS

27 de dezembro de 2014 | 10h45

Nomes e endereços de “todos os locais budistas e taoistas” serão publicados dentro do prazo de dois anos, disse Wang Zuoan, diretor da Administração Estatal para Assuntos Religiosos, durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira, de acordo com a agência de notícias.

A Xinhua não fez nenhuma menção a outras religiões, mas afirmou que Wang teria dito que a informação ajudaria a parar com as atividades religiosas ilegais em lugares não autorizados.

A atitude do governo em relação a religião suavizou significativamente nas últimas décadas, e as pessoas têm permissão de praticar sua religião em instituições sancionadas, às quais é requerido que preguem e pratiquem a lealdade ao governo.

Apesar das regras, movimentos religiosos não autorizados, que são chamados de cultos pelas autoridades, proliferaram nos últimos anos, e o governo ampliou sua atividade na tentativa de coibir seu crescimento.

Um tribunal prendeu 21 membros do grupo religioso banido Quannengshen e executou dois este ano depois que os membros foram acusados de matar uma mulher.

Pequim também mantém o banimento da igreja Falum Gong, que se tornou um dos oponentes públicos mais estridentes do Partido Comunista Chinês.

Mensagens anticultos proliferam em quadros de mensagem nas vizinhanças de algumas cidades, e a suspeita pode se estender para religiões estabelecidas.

O governo está preso em uma longa disputa com o Vaticano na questão sobre quem aponta os bispos católicos, e nos últimos meses alguns oficiais removeram cruzes de igrejas cristãs e proibiram o simbolismo de Natal.

O governo suspeita ainda mais do islamismo, e tentou desencorajar a tradicional prática mulçumana na região autónoma de Xinjiang. Ele também tentou reprimir a atividade política entre budistas tibetanos.

O governo descreve a resistência ao seu domínio em comunidades mulçumanas e budista tibetana como sendo inspirada por forças externas que tentam desmembrar a China, e defende sua política religiosa como adequada para “praticantes razoáveis”.

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