China lembra os 50 anos de controle direto do Tibete

A China lembrou hoje os 50 anos de seu domínio direto do Tibete, hasteando uma bandeira nacional na capital regional e celebrando a data com um novo feriado político instituído, segundo Pequim, para honrar o clamor de libertação da população local da brutal opressão feudal.

PATRICIA LARA, Agencia Estado

28 de março de 2009 | 11h51

Testemunhos sobre a vida miserável do velho Tibete deram início à breve cerimônia, transmitida ao vivo e realizada na frente do Palácio Potala, em Lhasa (capital tibetana), para marcar o fim do controle do dalai-lama no Tibete.

Os líderes exilados do governo tibetano afirmaram, em seus sites na web, que o novo feriado, chamado Dia de Libertação dos Servos tibetanos, está agravando os problemas na região e deve ser um dia de luto para os tibetanos ao redor do mundo. "Esse feriado é ofensivo e provocativo", destacam os líderes no exílio.

Centenas de tibetanos que moram em Dharmsala, cidade no noroeste da Índia que se tornou sede do governo exilado, fizeram um protesto nas ruas contra o controle chinês, carregando bandeiras do Tibete e clamando "o fim dos 50 anos de tortura". Alguns usavam bandanas com o slogan "Tibete Livre".

O dia 28 de março (hoje) marca a data em que o governo chinês colocou um fim a um levante tibetano em 1959, o que levou o dalai-lama a atravessar o Himalaia e se exilar, enquanto o governo de Pequim assumiu o controle direto do Tibete pela primeira vez. A versão oficial chinesa para os eventos é que o Tibete era um enclave medieval remoto, onde a maioria das pessoas vivia em condições de servidão à teocracia budista.

"Assim como a Europa não pode voltar à era medieval e os EUA não podem retornar aos tempos anteriores à Guerra Civil, o Tibete não pode restabelecer a era da sociedade serviçal", afirmou Zhang Qingli, o chefe do Partido Comunista chinês para a região para um grupo de mais de 13 mil pessoas presentes ao evento.

Após a transmissão da cerimônia, a imprensa chinesa estatal exibiu uma série de artigos e programas exultando as reformas comunistas e o desenvolvimento econômico. Eles relacionavam o fim da liderança do dalai-lama à emancipação dos escravos por Abraham Lincoln nos EUA.

"Nos dias de hoje, temos estradas, televisões e telefones, as crianças podem ir à escola e ter suas economias em bancos; tudo isso se tornou possível graças ao Partido Comunista", disse Tsondre, um senhor de 69 anos, que afirmou ter nascido dentro de uma família de sherpas tibetanos em Lhasa, durante a cerimônia. Assim como vários tibetanos, ele ostenta apenas um nome.

Enquanto o domínio chinês trouxe desenvolvimento econômico e padrões mais elevados de vida e infraestrutura para o remoto platô do Himalaia, onde as pessoas tradicionalmente tiram seu sustento do cultivo da terra e de rebanhos, os tibetanos afirma que perderam a liberdade religiosa e cultural e que são marginalizados em sua própria região.

Há um ano, as comunidades tibetanas na China desencadearam violentos protestos contra o domínio chinês e foram reprimidas pelas tropas de Pequim. As informações são de agências internacionais.

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