China leva à ONU guerra de propaganda com o Japão

A China levou à Organização das Nações Unidas nesta quarta-feira sua guerra de propaganda com o Japão, questionando os motivos do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, para visitar um controverso santuário de guerra e pedindo que ele corrija essa "visão errônea" da história.

Reuters

08 de janeiro de 2014 | 20h55

A visita feita por Abe em 26 de dezembro ao Santuário Yasukuni, em Tóquio, onde líderes japoneses condenados por crimes de guerra estão enterrados com outros mortos em conflito, enfureceu a China e a Coreia do Sul e causou preocupação nos Estados Unidos, um importante aliado.

"Tudo se resume a saber se o líder de um país deveria se posicionar do lado da manutenção dos princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas ou ficar do lado de criminosos de guerra", disse o representante chinês na ONU, Liu Jieyi, a repórteres.

Tanto a China como a Coreia sofreram sob um brutal domínio japonês, com partes da China ocupadas em 1930 e a Coreia colonizada de 1910 a 1945.

"Surge inevitavelmente a questão do que Abe é capaz, onde ele quer levar seu país", disse Liu.

"A comunidade internacional deveria permanecer vigilante e emitir um alerta... que Abe tem de corrigir sua visão errônea da história, ele tem de corrigir seus erros e ele não tem de escorregar ainda mais pelo caminho errado", afirmou o embaixador.

As relações entre o Japão e a China já estavam tensas por causa de uma disputa sobre a propriedade de um grupo de ilhotas desabitadas no Mar do Leste da China. O governo chinês diz que deseja conversar com o Japão sobre o assunto, mas acusa Abe de não ser sério quanto a querer resolver a divergência.

Como parte da briga por causa da visita de Abe ao santuário, os embaixadores da China e do Japão em Londres escreveram artigos no jornal britânico Daily Telegraph na semana passada, comparando um ao outro a Lord Voldemort, o vilão nas histórias de Harry Potter.

(Reportagem de Michelle Nichols)

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