China liberta artista e dissidente Ai Weiwei após pagamento de fiança

Governo chinês acusa Weiwei de crime econômico; família fala em perseguição política

Efe

22 de junho de 2011 | 12h51

Artista faz oposição ao governo chinês e defende os direitos humanos

 

PEQUIM - O artista e dissidente chinês Ai Weiwei foi libertado nesta quarta-feira, 22, após pagar uma fiança devido ao seu "bom comportamento e após confessar seus crimes", depois que em 3 de abril foi preso sem mandato judicial, informou a Polícia local em comunicado divulgado pela agência oficial "Xinhua".

 

Veja também:

blog Ai Weiwei foi solto, mas é cedo para saber se ele está livre

A breve mensagem declara que outro motivo da libertação foi "a doença crônica que sofre", sem mencionar o diabetes e a hipertensão sofridos pelo artista de 53 anos, que devolverá o dinheiro de todos os impostos que supostamente evadiu.

No entanto, a irmã mais velha de Ai Weiwei, Gao Ge, declarou à Agência Efe em conversa por telefone que a família ainda não teve notícia oficial de sua libertação e nem falou com ele.

A detenção de Ai Weiwei foi condenada por Governos ocidentais como Estados Unidos, França, Alemanha, Taiwan, Austrália e Japão, além de por União Europeia (UE), organizações de direitos humanos e o setor artístico mundial, já que aconteceu no meio de uma das campanhas mais repressivas do regime chinês em décadas.

Embora Pequim tenha afirmado que Ai Weiwei estava sendo investigado por um suposto crime econômico, tanto a família quanto os estados e instituições que pediram sua libertação consideram que a detenção do artista se deveu a sua aberta oposição ao regime chinês e à sua defesa dos direitos humanos.

No entanto, o comunicado policial assevera que Ai Weiwei "confessou seus crimes" e "reiterou que está disposto a pagar os impostos que evadiu", e dos quais não se tem um número oficial até agora.

Segundo o comunicado policial, a empresa propriedade de Ai Weiwei supostamente investigada, a "The Beijing Fake Cultural Development", "teria evadido uma grande quantidade de impostos e destruído de forma proposital os documentos".

Sua irma disse à Efe que a família do artista não recebeu nenhuma notícia oficial de sua libertação, desconhece seu paradeiro atual e ainda não falou com Ai Weiwei.

Um dos sites que apoia o artista e informou sobre os detalhes de sua detenção revelou que a mãe do intelectual, Gao Ying, não fará comentários sobre sua suposta confissão de evasão de impostos até falar com ele e comprovar seu estado de saúde.

A nota oficial não informa também sobre a situação nem o paradeiro de outras quatro pessoas que foram detidas junto com o artista - seu primo e motorista, seu contador, um dos desenhistas de seu estúdio e um jornalista amigo do dissidente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.