China liberta líder dissidente que está doente

O regime comunista chinês libertou na véspera do Natal um dos mais importantes dissidentes da China: Xu Wenli, fundador do proscrito Partido Democrata Chinês. Ele cumpriu 13 anos de prisão acusado de subversão ao defender a instalação no país uma democracia multipartidária. Apesar de estar doente, a libertação de Xu coincide com a visita oficial ao país de um diplomata norte-americano ligado à área de direitos humanos. Funcionários do governo norte-americano e ativistas de direitos humanos disseram que Xu, de 59 anos, está pronto para deixar a China. O destino dele será os Estados Unidos. Xu deve chegar ainda esta noite a Chicago, onde será recebido por sua filha, Xu Jin. Os dois não se vêem há cinco anos. Segundo o ativista norte-americano John Kamm, Xu Wenli só foi libertado porque está gravemente enfermo. Ele sofre de hepatite B. O dissidente não poderá viver na China, nem retornar para visitar parentes ou manter contatos com seus colegas e simpatizantes do movimento democrático, instaurado em 1979 (a maioria deles ainda está detida). O líder dissidente acreditava poder introduzir no país uma democracia multipartidária, desafiando o poderoso Partido Comunista Chinês. No início, as atividades de Xu pareciam estar sendo toleradas, mas ele acabou sendo detido por criar um movimento político ilegal. Visita oficial Kamm, que costuma negociar casos de violação dos direitos humanos com as autoridades chinesas e se empenhou a fundo na causa de Xu, disse também que a decisão de Pequim integra uma política para melhorar as relações com os EUA. A libertação de Xu coincidiu com uma visita oficial ao país de Lorne Craner, diplomata norte-americano ligado à área de direitos humanos, que entregará lista de 298 pessoas que, acredita Washington, seriam presos políticos. À parte dessa visita, a China convidou também especialistas das Nações Unidas em questões relacionadas com tortura e liberdade religiosa para percorrer o país num claro esforço para melhorar a imagem chinesa no exterior. No entanto, numa prova de que não está preparada para tolerar oposição, as autoridades policiais chinesas prenderam Wang Bingzhang - outro dissidente veterano, acusado de espionagem em favor dos EUA e terrorismo. As autoridades de Pequim ordenaram também a captura de dois líderes de um protesto trabalhista ocorrido nove meses atrás. São eles Wang Zhaoming e Pang Qingxiang, que comandaram uma greve de 30 dias contra o governo e sua forma de administrar uma fábrica estatal na cidade de Liaoyang, região nordeste da China. Dois outros operários que se destacaram na "instigação à greve", Yao Fuxin e Xiao Yuliang, já estão sob custódia policial.

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