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China limpa área de explosões e acha toneladas de cianeto de sódio

Quantidade do produto tóxico em Tianjin seria muito superior ao permitido; Corte Suprema investiga negligências

O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2015 | 20h59

PEQUIM - Soldados e agentes de resgate chineses, usando máscaras de gás e trajes especiais, fizeram ontem uma busca por materiais tóxicos no Porto de Tianjin, ao mesmo tempo que o primeiro-ministro Li Keqiang chegava para oferecer condolências, cinco dias depois das explosões que destruíram parte da zona de desenvolvimento nacional.

O objetivo é limpar e retirar produtos químicos antes da chegada de chuvas, que poderiam criar mais gases tóxicos. Trabalhadores utilizam peróxido de hidrogênio para neutralizar a toxicidade do cianeto de sódio.

O número de mortos pela explosão de quarta-feira subiu para 112. Mais de 720 pessoas ficaram feridas na série de explosões, que lançou no céu bolas de fogo amarelas e laranjas, espalhou destroços em chamas por uma vasta área industrial, amassou carros e queimou edifícios. Segundo a imprensa estatal, ainda há 95 desaparecidos, entre eles 85 bombeiros.

Irregularidades. Funcionários chineses encontraram o que acreditam ser toneladas de cianeto de sódio na área onde ocorreram as explosões de quarta-feira durante a operação de limpeza. A descoberta ocorreu após informações indicarem que mais de 700 toneladas de produtos químicos – 70 vezes mais que o permitido – estavam estocadas no porto, sugerindo que a companhia proprietária do armazém onde começaram as explosões, Rui Hai International Logistics, poderia estar transportando ilegalmente os produtos químicos.

A Corte Suprema chinesa anunciou ontem que abriu uma investigação para determinar se negligências provocaram as explosões no terminal de contêineres. Até hoje, nenhum membro do governo local ou da companhia Rui Hai foi considerado responsável pelo ocorrido. Informações não confirmadas divulgadas na internet apontam ligações entre o dono da empresa e a prefeitura de Tianjin.

As cobranças aumentaram depois que meios de comunicação locais sugeriram que a companhia não dispunha de licença para armazenar produtos químicos perigosos e o terminal estava mais perto de áreas residenciais do que permite a lei, entre outras coisas.

Censura. As autoridades da China voltaram ontem a censurar dezenas de páginas de internet que continham críticas ao atendimento dado às vítimas, gestão e investigação das explosões. O fechamento definitivo ou a suspensão temporária de 50 páginas de internet se soma às 360 contas de redes sociais que foram já censuradas. A Administração do Ciberespaço da China acusa as páginas de “criar o pânico com informação não verificada e permitir a seus usuário divulgar rumores infundados”. / EFE e Reuters

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