China marca 30 anos da morte de Mao sem alarde em Pequim

O aniversário de 30 anos da morte de Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China, está sendo marcado com eventos em diferente províncias do país, mas sem alarde na capital, Pequim. No distrito de Gonggar, no Tibete, há planos para erguer uma estátua de dimensões recorde: 35 toneladas e 12 metros de altura. E em Shaoshan, na província de Hunan, um museu em tributo à vida do líder está em construção.O Partido Comunista chinês, no entanto, não promoveu eventos oficiais de grande porte para marcar a data em Pequim. Por outro lado, grupos civis organizaram eventos como palestras e apresentações culturais no parlamento. Na Praça da Paz Celestial, milhares de pessoas visitaram o mausoléu de Mao. Essa não é a primeira vez que o governo trata com discrição o aniversário da morte de Mao em Pequim. Em 2001, o silêncio da imprensa oficial foi o que mais chamou a atenção na ocasião dos 25 anos. Controverso A atual postura do governo contrasta com as celebrações de 1993, quando foram organizados inúmeros seminários e eventos oficiais para comemorar os 100 anos de nascimento do líder. O legado de Mao é assunto controverso na China. O Grande Salto Adiante (1958-1960) e a Revolução Cultural (1964-1976) foram idéias do líder consideradas desastrosas pela maioria dos historiadores e que, juntas, resultaram na morte de mais de 50 milhões de pessoas.As opiniões populares sobre o assunto se dividem. "Mao é muito importante para a China. Ele fez da China um grande país", disse à BBC Brasil Lee Ziyi, de 25 anos, ao explicar por que visitou o mausoléu de Mao neste sábado em Pequim.Ela e a amiga Hu Qin foram prestar homenagem a um personagem histórico que acreditam ter sido "bom para o país", embora não tenham vivido nos tempos em que ele esteve no poder.Já uma estudante da Universidade de Pequim, que não quis ter seu nome identificado, discorda de Lee Ziyi e Hu Qin. "Acho que ele não foi bom. Ainda vai levar mais trinta anos para podermos superar o ressentimento que temos por seus erros na revolução cultural", disse.Tabu Na China, ainda é tabu o estudo crítico desses episódios. O Partido Comunista reconhece que foram erros políticos, porém só discute e avalia o legado de Mao dentro da regra pré-estabelecida de que ele é 70% bom, 30% ruim. A morte de Mao, em 1976, marca o fim da revolução cultural e o nascimento da China contemporânea. Foi a partir das reformas econômicas pós-Mao, introduzidas por Deng Xiaoping, em 1978, que a China veio a se transformar na pujante economia dos dias de hoje. Com um ritmo de crescimento anual de quase 10% nas últimas três décadas, a China se tornou a quarta maior economia do mundo e conseguiu melhorar o padrão de vida de 240 milhões de pessoas, que antes estavam na pobreza. Mao era contra o incentivo à indústria, a livre competição e a abertura do país ao investimento estrangeiro. Entretanto, foram exatamente essas medidas que serviram de pilares do bem sucedido "socialismo com características chinesas".

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