China minimiza risco de 'contágio' da onda de protestos

A China não será afetada pela onda de protestos que abala regimes autoritários do norte da África e Oriente Médio, disse uma importante autoridade, embora um surto de detenções e censura sugira nervosismo por parte de Pequim.

CHRIS BUCKLEY, REUTERS

24 de fevereiro de 2011 | 09h25

As declarações de Zhao Qizheng, ex-chefe do departamento de informação do governo, foram a principal reação do regime comunista até agora às mensagens pela Internet em que ativistas convocam protestos para dar início a uma "Revolução de Jasmim".

Até agora, os protestos na China têm sido pequenos e amplamente controlados pela polícia.

"Não haverá nenhuma Revolução de Jasmim na China", disse Zhao, segundo reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal Wen Wei Po, que é editado em Hong Kong sob controle do regime de Pequim.

"Revolução de Jasmim" foi o nome dado por alguns tunisianos à rebelião que derrubou o presidente Zine al Abidine Ben Ali em meados de janeiro. A revolta rapidamente se espalhou por outros países da região, e semanas depois levou à queda do líder egípcio Hosni Mubarak.

"A ideia de que uma Revolução de Jasmim poderia acontecer na China é extremamente ridícula e irrealista", disse Zhao a um grupo de jornalistas na quarta-feira, segundo o jornal.

Relativamente poucos chineses veem a convocação dos protestos pela Internet, já que ela circula principalmente em sites do exterior, bloqueados na China continental. A palavra "jasmim" também está bloqueada nas buscas em sites chineses.

A entidade sediada em Nova York Direitos Humanos na China disse que 29 advogados e dissidentes foram detidos, confinados, interrogados ou sofreram buscas domiciliares desde 16 de fevereiro, mas não está claro quantos deles foram alvo dessas ações por causa da preocupação do Partido Comunista com os protestos.

Um homem no sudoeste da China e uma mulher no nordeste foram detidos sob a acusação de "incitar à subversão do poder estatal", segundo a esposa do homem e o Centro de Informações para os Direitos Humanos e a Democracia, de Hong Kong.

Zhao atualmente chefia a comissão de assuntos exteriores da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, uma instância que assessora o governo sem ter poderes legislativos.

Mesmo críticos ardorosos do regime comunista dizem que há atualmente poucas chances de que ele seja alvo de uma rebelião como as do Oriente Médio. Em 1988, protestos por democracia concentrados na Praça da Paz Celestial foram duramente esmagados na China.

(Reportagem de Chris Buckley)

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