China não chegou a usar avião grampeado

As autoridades chinesas mantiveram silêncio neste domingo sobre as informações de que um Boeing 767 novo, destinado ao presidente Jiang Zemin, estava cheio de microfones. O Ministério das Relações Exteriores disse não ter comentários sobre as informações publicadas neste sábado pelos jornais Financial Times e Washington Post, segundo os quais os serviços de inteligência chineses descobriram 27 microfones ocultos no avião, de fabricação americana. "Continuamos a fazer contato com os departamentos afetados. Avisaremos quando tivermos um comentário", disse uma porta-voz do governo chinês. Os meios de comunicação chineses tampouco mencionaram o assunto. As relações sino-americanas "têm mais possibilidades de desenvolvimento", disse a agência Nova China, mencionando que nos últimos 30 anos elas "se desenvolveram constantemente, apesar dos altos e baixos". Este assunto vem à tona justamente quando o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, prepara-se para viajar em fevereiro a Pequim, para uma reunião de cúpula bilateral, 30 anos depois da histórica reunião entre Mao Tse Tung e Richard Nixon. Em Washington, a Casa Branca e a CIA tampouco quiseram pronunciar-se. Segundo especialistas militares chineses citados pelo Finantial Times, os microfones descobertos no avião eram diminutos e muito sofisticados. Os aparelhos, que deviam transmitir os dados por satélite, estavam ocultos no forro da cabine, mas também nos lavabos e, inclusive, na cabeceira da cama do próprio presidente Jiang. Los chineses foram alertados da presença dos microfones por zumbidos agudos a bordo do avião durante provas de vôo em setembro, pouco depois de sua entrega. O Boeing 767-300ER, comprado por Pequim em junho de 2000, teria que haver sido utilizado pela primeira vez pelo presidente chinês para viajar para a reunião de cúpula da APEC em Xangai, em outubro passado, mas Jiang acabou voando em outro aparelho, segundo o Washington Post. O bimotor foi fabricado na sede da Boeing em Seattle, mas a montagem do interior do avião foi realizada por várias empresas americanas no aeroporto de San Antonio (Texas), durante a primavera passada (boreal), em uma fase tensa das relações entre Washington e Pequim, após a aterrissagem forçada de um avião espião americano no sul da China, segundo o Washington Post. O caso provocou comoção na China, onde se abriu uma investigação para determinar possíveis negligências das administrações que encomendaram o Boeing, e cerca de vinte oficiais do exército chinês foram detidos para interrogatório, segundo o Finantial Times. Para Paul Harris, um analista político da Universidade Lingnan, de Hong Kong, é "muito improvável ou inclusive impossível que os Estados Unidos estejam implicados, e a Boeing não concordaria em se responsabilizar pela colocação dos microfones". Jean-Pierre Cabestan, do Centro Francês de Estudos sobre a China Contemporânea, acha possível que militares chineses de altas patentes tratem de influenciar a política de Pequim em relação aos Estados Unidos.

Agencia Estado,

20 Janeiro 2002 | 11h03

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