China nega concessões territoriais ao Tibete, diz agência

Órgão estatal comunicou que governo se reuniu com enviados do Dalai Lama, mas encontro não deu resultados

Efe,

01 de fevereiro de 2010 | 09h51

O governo da China assegurou aos enviados pessoais do Dalai Lama que Pequim não fará nenhuma concessão em questões relacionadas à soberania nacional, informou nesta segunda-feira, 1º, o Partido Comunista da China (PCCh).

 

Um comunicado divulgado pela agência oficial Xinhua informa que Du Qinglin, chefe do Departamento da Frente Unida do Comitê Central do PCCh, se reuniu a portas fechadas com os enviados pessoais do Dalai Lama em Pequim, sem indicar a data do encontro.

 

A delegação tibetana no exílio chegou na semana passada à China para voltar ao diálogo após um intervalo de 15 meses, na nona rodada de negociações entre os tibetanos e as autoridades chinesas desde o início do processo, em 2002.

 

"As questões relativas ao território da China e sua soberania não são negociáveis e não se farão concessões sobre estes assuntos", assegurou Du na reunião.

 

Apesar de garantir que "a porta para o diálogo com o Dalai Lama permanece aberta", Du acrescentou que as negociações não avançarão se o líder tibetano "continuar a campanha contra a China e se negar a mostrar um respeito básico e sincero". "O povo tibetano quer a paz e a estabilidade. Não se pode enganar e atuar contra sua vontade. As atividades de infiltração e provocação estão condenadas ao fracasso. Elas só criam obstáculos para as conversas e isolam o Dalai Lama e seus seguidores", acrescentou.

 

Viajaram à China os enviados pessoais Lodi Gyari e Kelsang Gyaltsen, acompanhados dos membros do Grupo Tibetano de Trabalho para Negociações Tenzin Atisha e Bhuchung Tsering, e do membro da secretaria do grupo Jigmey Passang.

 

Até o momento, nenhuma das rodadas de diálogo entre a China e o Tibete apresentou avanços significativos na disputa que o país comunista enfrenta com os líderes tibetanos no exílio, abrigados na Índia.

 

A reunião coincidiu com a substituição de chefes do Executivo e Legislativo da província do Tibete, quase dois anos depois que essa região autônoma chinesa ter sido palco das piores revoltas em 20 anos contra o regime comunista chinês.

 

Em 14 de março de 2008, 19 pessoas, segundo o governo chinês, e mais de 200, de acordo com os tibetanos no exílio, morreram em confrontos em Lhasa. Pequim culpou diretamente o Dalai Lama pelos acontecimentos.

 

As denúncias de repressão policial contra os tibetanos por causa das revoltas causaram uma onda de críticas da comunidade internacional à China. As críticas externas foram feitas inclusive nas convocações de boicote aos Jogos Olímpicos que meses depois ocorreriam em Pequim.

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