China nomeia ex-embaixador nos EUA para pasta do Exterior

A China nomeou nesta sexta-feira, 27, um ex-embaixador nos Estados Unidos como ministro das Relações Exteriores, substituindo o diplomata veterano Li Zhaoxing no momento em que cresce a atenção sobre a diplomacia chinesa. Yang Jiechi, de 56 anos, que era vice-ministro, vem de Xangai e serviu na embaixada da China em Washington nos anos 1980 e 1990, voltando para lá como embaixador entre 2001 e 2005. Yang fala inglês de alto nível e assume o cargo no momento em que a China provoca rusgas na Ásia e em outros continentes. Sua experiência em lidar com Washington pode ajudar a aliviar turbulências em relação a comércio, modernização militar e ambições de longo prazo. "Com acontecimentos internacionais tão complexos, é importante para a China e para os EUA reforçarem a cooperação e responderem em conjunto ao terrorismo, à proliferação de armas de destruição em massa, aos conflitos regionais e a outros desafios", disse Yang em discurso no ano passado, de acordo com o site do Ministério do Exterior. A nomeação dele não deverá provocar grandes mudanças na política, que é determinada pela liderança do Partido Comunista. "Na China, o papel do ministro das Relações Exteriores é limitado, certamente em comparação à secretaria de Estado dos EUA. O ministro mais implementa do que formula políticas", disse Yuan Tiecheng, pesquisador de política externa de Pequim. O Departamento de Estado dos EUA saudou a nomeação de Yang, dizendo o país tinha uma boa relação de trabalho com Li em um amplo leque de questões e que esperam levá-las adiante com Yang. "O que é importante para nós é termos o governo chinês como um todo como um sólido interlocutor. Saudamos a chegada de qualquer um que eles escolherem para ter como ministro do exterior", disse o vice-porta-voz Tom Casey a repórteres. ´Menos nacionalista´ Hu Jintao, presidente da China desde 2003, vem colocando cada vez mais sua marca na política exterior. Em agosto do ano passado, ele exigiu mais coordenação entre o trabalho interno e a diplomacia. Yang ficará encarregado deste objetivo. "Ele é menos nacionalista do que seu antecessor", disse Zhu Feng, especialista da Universidade Peking em segurança internacional, a respeito de Yang. "O crescimento da China está tocando nos nervos dos EUA e nossas relações com vizinhos são complexas. Ele terá que ser um gerente e mensageiro desta mudança." No começo dos anos 1970, quando a China estava isolada e consumida pela radical Revolução Cultural de Mao Zedong, Yang estudava na London School of Economics. Antes disso, era operário de fábrica em Xangai, epicentro do radicalismo maoísta. Yang pode ser mais leve do que Li no sentido político, mas conhece as disputas com Washington. Como vice-ministro, condenou as políticas de Washington para Taiwan e para o Tibet. Como embaixador, Yang conseguiu manter "a fina linha de defender com firmeza os interesses nacionais da China e manter relações tranquilas e estáveis com os EUA", disse a Xinhua. Logo depois que assumiu o cargo de embaixador, a tensão cresceu por causa do acidente do caça chinês que bateu em um avião de observação dos EUA. A tripulação norte-americana pousou na ilha de Hainan, no sul da China, e foi libertada depois de 11 dias tensos. A China vem cultivando laços com vizinhos, incluindo Japão e Rússia, e é a anfitriã das negociações destinadas a acabar com o programa de armas nucleares da Coréia do Norte, em assunto que interessa muito aos EUA. Além da promoção de Yang, a China nomeou novos ministros da água, da ciência e tecnologia, e da terra. Outras mudanças são esperadas, já que o Partido Comunista prepara-se para realizar, ainda em 2006, o congresso feito a cada cinco anos.

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