China oferece concessões a vila rebelde em meio a novos protesto

Autoridades chinesas ofereceram concessões nesta terça-feira a um vilarejo que se rebelou contra autoridades do Partido Comunista que tentavam fazer com que os moradores cancelassem uma marcha até os escritórios do governo, enquanto um novo protesto contra a poluição incendiava a costa.

SUI-LEE WEE, REUTERS

20 de dezembro de 2011 | 12h46

Moradores de Wukan, na província de Guangdong, no sul da China, ameaçavam marchar até um escritório do governo local em protesto contra o confisco de terras para o desenvolvimento, e contra a morte suspeita de um organizador do protesto, Xue Jinbo, quando ele estava sob custódia da polícia.

Embora a rebelião esteja limitada a um vilarejo, atraiu atenção disseminada e é vista como uma rejeição humilhante ao PC, que valoriza acima de tudo a estabilidade.

Destacando esses temores, em um protesto separado em Haimen, uma cidade mais a leste da costa a partir de Wukan, os moradores fizeram uma demonstração em frente a prédios do governo e bloquearam uma estrada em protesto contra planos de erguer ali uma usina de energia.

Fotos colocadas no site de microblogging Weibo, que não puderam ser verificadas de forma independente pela Reuters, mostravam centenas de pessoas reunidas em frente dos escritórios enquanto a tropa de choque vigiava.

A agência de notícias estatal Xinhua disse que milhares de pessoas bloquearam uma estrada para protestar contra a construção de uma usina de energia abastecida a carvão por temores de poluição.

"Os moradores reclamaram que a atual usina de energia levou a um aumento no número de pacientes com câncer, deterioração do meio ambiente e a uma queda na pesca", dizia o relatório.

"Autoridades do governo local chegaram à cena para falar com os moradores, e eles deixaram a estrada no final da tarde".

CONCESSÕES OFERECIDAS EM WUKAN

Os protestos na China contra poluição, corrupção, salários e confisco ilegal de terras para desenvolvimento tornaram-se comuns.

Especialistas chineses dizem que em toda a China acontecem por ano cerca de 90.000 "incidentes em massa", como esses protestos são conhecidos.

O governo parecia estar se esforçando para solucionar o impasse em Wukan. Os dois lados iriam se reunir na manhã de quarta-feira, disse o morador do vilarejo Lin Zuluan, que participará das conversas.

Ele disse à Reuters que iriam pedir a libertação de três homens detidos, especialistas para examinarem o corpo de Xue e que o governo reconheça a legalidade do comitê do vilarejo.

"Se isso não for cumprido, não chegaremos a um acordo", disse Lin.

"Se chegarmos a um consenso, então iremos cancelar a petição amanhã", acrescentou, referindo-se à marcha planejada.

Os moradores disseram ter recebido uma mensagem do governo, citando declarações conciliatórias do subchefe do Partido Comunista de Guangdong, Zhu Mingguo.

"Um, as exigências do povo são razoáveis. Alguns departamentos, em seu trabalho, realmente têm alguns problemas. Dois, as ações agressivas da maioria podem ser entendidas e perdoadas; não vamos perseguir nenhum responsável", dizia o texto.

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