China oferecerá ajuda financeira a países africanos

O Fórum de Cooperação Sino-Africano (Focac), que reúne representantes de 48 países, foi inaugurado neste sábado com o lema "amizade, paz, cooperação e desenvolvimento" e a oferta de Pequim de ajuda financeira ao continente africano.O presidente da China, Hu Jintao anunciou que a China vai oferecer até US$ 5 bilhões em empréstimos preferenciais e créditos (de caráter principalmente comercial), duplicará a ajuda ao continente no período de 2006 a 2009 e criará um fundo conjunto para o desenvolvimento. "Nossa cúpula fará história", previu Hu.Neste sábado, a imprensa destacou que a China, até pouco tempo atrás subdesenvolvida, e a África compartilharam sofrimentos e "devem desfrutar do desenvolvimento com o modelo de cooperação que desejarem".Nos preparativos da cúpula, altos funcionários chineses e africanos destacaram o papel da China na África durante décadas, iniciado com a solidariedade política na Guerra Fria e que evoluiu para a cooperação econômica."A amizade sino-africana resistiu ao tempo e às mudanças internacionais. Devemos pensar em como aumentar a cooperação nos apoiando mutuamente", afirmou a vice-premier, Wu Yi."Declaração de Pequim"A "Declaração de Pequim", que os líderes vão assinar no domingo, no encerramento da cúpula, está destinada, segundo a imprensa oficial, "a estabelecer um novo tipo de associação estratégica baseada na confiança, na cooperação econômica e nos intercâmbios".As proclamadas intenções chinesas enfrentam as queixas de sindicatos e empresários africanos e o receio de alguns países pela sede que o gigante asiático tem de petróleo, minerais, mercados e aliados políticos.Segundo o Banco Mundial, a China deve se transformar na entidade que concede o maior número de empréstimos aos países africanos, mas também pode contribuir para aumentar a corrupção e a dívida.Direitos HumanosGrupos defensores dos direitos humanos, como a Human Rights Watch (HRW), reiteraram a Pequim que exerça sua influência diplomática e econômica para pressionar rumo à melhoria das condições de vida nos países ajudados."A China insiste em não interferir em assuntos internos, mas ao se declarar amiga do povo africano não deve ficar em silêncio", afirmou a organização.Como exemplo, citou que as empresas chinesas possuem 40% das instalações no Sudão e o bloqueio de resoluções da ONU contra o Governo sudanês por Pequim."Vimos que a China pressionou a Coréia do Norte para retornar à mesa de negociações e esperamos esforços similares com países onde a situação é catastrófica", afirmou a HRW, após mencionar a venda de tecnologia que permite controlar comunicações ao Zimbábue.Os três mil delegados que assistem à cúpula são de países que reconhecem a República Popular da China. Os cinco Estados que mantêm relações com Taiwan - Burkina Faso, São Tomé e Príncipe, Suazilândia, Gâmbia e Malauí - estão ausentes.Nos últimos cinco anos, a China conseguiu que três países rompessem seus laços com Taipé: Libéria (2003), Senegal (2005) e Chade (2006).PetróleoA China, segundo maior consumidor mundial de petróleo - atrás apenas dos Estados Unidos -, importa 30% da África e investe bilhões de dólares em explorar a commodity e gás em Angola, Chade, Sudão e Nigéria.O comércio sino-africano excederá os US$ 50 bilhões em 2006, 20% a mais que em 2005, segundo Zhou Yabin, diretor do departamento da África do Norte e Ocidental do Ministério de Assuntos Exteriores, para quem "as economias são complementares".Mais de 800 empresas chinesas estão na África com investimento de US$ 6 bilhões, através de acordos com 28 países e com projetos de engenharia, construção, petroquímica, educação e saúde. Pequim pensa em impulsionar os negócios agrícolas e alimentícios.As exportações chinesas à África atingiram US$ 11 bilhões na primeira metade de 2006, aumento de 30% em relação ao mesmo período de 2005, enquanto as importações foram de US$ 14,6 bilhões, aumento de 51%. OrganizaçãoOs discursos da cerimônia de inauguração do fórum duraram 50 minutos e a realização do evento permite a Pequim ensaiar sua capacidade de organização e segurança para os Jogos Olímpicos de 2008.O lema da cúpula foi repetido em todos os discursos pronunciados pelos dirigentes no Grande Palácio do Povo e também aparece nas milhares de bandeiras que enfeitam as ruas e lojas de Pequim.O conselheiro de Estado, Tang Jiaxuan, presidiu a abertura da reunião, que vai durar dois dias, na qual o presidente da China, Hu Jintao, discursou como anfitrião. O evento foi precedido de uma vistosa cerimônia, onde os presidentes estamparam sua assinatura em selos comemorativos.No mesmo edifício, empresários chineses e africanos se reuniam em paralelo para abordar formas concretas de cooperação.Durante a noite, um banquete e uma festa de gala serão oferecidos para celebrar a reunião histórica, que tenta provar "a igualdade e a confiança que sustentam a cooperação que beneficia as duas partes", segundo o Diário do Povo, órgão do Partido Comunista da China.

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