China: oposição a refinarias ganha força

O sábado foi de tensão em pelo menos duas cidades da China, com o aumento da oposição contra a instalação de novas unidades industriais. O exemplo é o mais recente dos receios da população chinesa com o impacto ambiental de grandes projetos industriais que o governo defende como necessários para o crescimento econômico.

AE, Agência Estado

04 de maio de 2013 | 12h13

Em Kunming, capital da província de Yunnan, pessoas foram às ruas do centro da cidade, de acordo com fotos postadas no serviço de microblog Weibo. A agência estatal de notícias Xinhua confirmou o protesto, informando que uma multidão com várias centenas de pessoas se formou no meio da tarde de sábado no local. O protesto de sábado em Kunming foi dirigido contra o plano de instalação de uma refinaria na cidade vizinha de Anning. "Refinaria Anning, não transforme a nossa casa em um inferno", dizia uma placa carregada por manifestantes em Kunming, segundo a Xinhua. Imagens no microblog mostravam pessoas usando máscaras em um protesto simbólico.

Enquanto isso, em Chengdu, capital da província de Sichuan e importante centro industrial, os funcionários do governo trabalharam nos últimos dias para desencorajar possíveis manifestações contra a instalação de uma refinaria e petroquímica na cidade vizinha de Pengzhou. Fotos no Weibo mostraram forte presença de policiais e agentes de segurança nas ruas da cidade no sábado, e não ficou claro se houve de fato um protesto, assim como em Kunming. De acordo com as autoridades, tratava-se de um treinamento para terremotos, mas muitos moradores não acreditaram nisso. Segundo eles, os funcionários do município esvaziaram preventivamente a manifestação, obrigando drogarias e lojas de impressão a denunciar qualquer pessoa que fizesse determinadas compras. Participantes do Weibo relataram que panfletos do governo instavam as pessoas a não protestar, e escolas foram orientadas a permanecer abertas para manter os alunos no campus.

O crescente ativismo ambiental entre os chineses residentes em centros urbanos tem preocupado os altos líderes do país e os executivos de petrolíferas estatais que desejam ampliar a infraestrutura de petróleo e gás para atender à demanda de diferentes segmentos da indústria.

O protesto em Kunming ocorre após uma manifestação similar contra a expansão de uma refinaria na cidade de Ningbo, no leste da China, no ano passado. Os protestos lá duraram dias, e as autoridades locais por fim prometeram suspender o plano de expansão. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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