AP Photo/Wong Maye-E
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China pede a Trump que não vincule relação comercial com questão norte-coreana

Vice-ministro chinês do Comércio afirma que temas distintos não devem ser 'tratados conjuntamente' após o presidente americano sugerir, no sábado, que poderia aplicar represálias a Pequim em razão do programa nuclear de Pyongyang

O Estado de S.Paulo

31 Julho 2017 | 12h46

PEQUIM - A China pediu nesta segunda-feira, 31, ao governo dos Estados Unidos que não vincule a questão nuclear na Coreia do Norte às relações comerciais entre os dois países, depois que o presidente americano Donald Trump acusou Pequim de falta de ação ante Pyongyang.   

"Consideramos que o programa nuclear norte-coreano e os intercâmbios comerciais entre China e Estados Unidos são dois temas distintos, que integram âmbitos completamente diferentes", afirmou o vice-ministro chinês do Comércio, Qian Keming. "Estes assuntos não devem ser tratados conjuntamente", insistiu.

"As relações comerciais sino-americanas, em conjunto, são mutuamente benéficas para os dois países e os Estados Unidos tiraram grande proveito do comércio bilateral e das cooperações em termos de investimentos cruzados", completou o vice-ministro.

As declarações foram uma resposta à acusação que Donald Trump fez no sábado no Twitter, na qual parecia agitar o fantasma das represálias contra a China, que acusou de fazer muito pouco a respeito da Coreia do Norte, após um novo lançamento de míssil balístico intercontinental (ICBM) de Pyongyang, o segundo em um mês.

"Estou muito decepcionado com a China (...) Não fazem nada por nós em relação à Coreia do Norte, apenas fala", queixou-se em uma série de tuítes. "Não permitiremos que isso continue. A China poderia resolver isso facilmente!", completou.

O líder norte-coreano Kim Jong-un declarou que "todo o território continental dos Estados Unidos" está a seu alcance, "em qualquer lugar e momento". Em várias oportunidades Trump exigiu que a China contenha as aspirações do vizinho, mas Pequim, que interrompeu as importações de carvão norte-coreano, insiste que a única solução possível é o diálogo.

A China, principal aliado de Pyongyang, condenou o lançamento de sexta-feira e pediu ao regime norte-coreano que respeite as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e pediu moderação a "todas as partes".

Risco

"A Coreia do Norte é uma ameaça direta, séria e grave para Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e outros países próximos e afastados", concordaram no domingo à noite Donald Trump e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, durante uma conversa telefônica, segundo um comunicado divulgado pela Casa Branca.

Os dois governantes se comprometeram a "aumentar a pressão econômica e diplomática" contra Pyongyang e a "convencer outros países".

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, declarou no fim de semana que, "como principais apoios econômicos do programa de desenvolvimento de armas nucleares e mísseis balísticos" da Coreia do Norte, "China e Rússia têm a única e particular responsabilidade por esta crescente ameaça à estabilidade da região e do planeta".

A acusação irritou Moscou. "Consideramos injustificáveis as tentativas dos representantes dos Estados Unidos e de vários outros países de atribuir a responsabilidade do que acontece (na Coreia do Norte) sobre Pequim e Moscou", afirma um comunicado do ministério russo das Relações Exteriores.

Como resposta ao lançamento do míssil norte-coreano, Estados Unidos e Coreia do Sul realizaram exercícios militares conjuntos no sábado. Seul anunciou que tem a intenção de acelerar a instalação em seu território do sistema de intercepção americano THAAD (Terminal High Altitutd Area Defense). Pequim advertiu que isto "complicaria ainda mais a situação". / AFP e EFE

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