China pede ajuda ao Japão após terremoto, dizem japoneses

A China pediu ao Japão o envio de ajudadevido ao terremoto que matou quase 12 mil pessoas noterritório chinês, e o governo do país vizinho está pronto paradoar inicialmente 4,8 milhões de dólares em dinheiro emercadorias, afirmou na terça-feira o ministro japonês dasRelações Exteriores. A cifra de mortos pode elevar-se em dezenas de milhares jáque a agência oficial de notícias Xinhua relatou que cerca de18.645 pessoas estavam soterradas apenas sobre os destroços dacidade de Mianyang, vizinha ao Condado de Wenchuan, epicentrodo terremoto. O pedido da China parece ser o primeiro enviado a umgoverno estrangeiro desde o desastre. Pouco antes, o governochinês havia dito que recebia com satisfação as ofertasinternacionais de ajuda, mas não deixou claro se as aceitaria. "Houve um pedido da parte da China", disse o chancelerjaponês, Masahiko Komura, em Tóquio depois de anunciar o envioda ajuda, que deve ser gasta pelo governo chinês e pororganizações internacionais. Komura acrescentou que o Japão estava pronto para ampliar oauxílio se houvesse uma requisição nesse sentido, afirmou aagência japonesa de notícias Kyodo. Ministérios do governo doJapão preparavam-se para entregar alimentos, água e cobertores,além de enviar equipes médicas, disse a Kyodo. Em 1995, em Kobe, o Japão sofreu um terremoto devastadorresponsável por matar mais de 6.400 pessoas e provocar danosavaliados em 100 bilhões de dólares. Os EUA, a Grã-Bretanha, a União Européia (UE), a Coréia doSul e Taiwan também ofereceram ajuda à China depois do abalosísmico, ocorrido três meses antes dos Jogos Olímpicos dePequim. O Comitê Olímpico Internacional (COI) disse na terça-feirater decidido doar 1 milhão de dólares ao país. A Organizaçãodas Nações Unidas (ONU) também se dispôs a ajudar. TRISTEZA Votos de pêsames chegaram do mundo todo. "Gostaria de enviar meus pêsames aos feridos e às famíliasdas vítimas do terremoto de hoje na Província de Sichuan, naChina", afirmou o presidente norte-americano, George W. Bush,em um comunicado. "Fiquei particularmente triste com o número de estudantes ecrianças atingido pela tragédia. Os pensamentos e as orações dopovo norte-americano voltam-se para o povo chinês, e emespecial para os atingidos diretamente pela tragédia. Os EUAestão prontos para ajudar da maneira que for possível." O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, enviou umtelegrama de pêsames ao presidente chinês, Hu Jintao, edeterminou que seu gabinete de governo encontre formas deajudar, disse a agência de notícias Yonhap, da Coréia do Sul. O Partido Nacionalista, que deve em breve tomar posse emTaiwan, enviou um telegrama para seu antigo arqui-rival, oscomunistas chineses, que venceram a guerra civil na China em1949 e obrigaram os nacionalistas derrotados a exilarem-se. Autoridades de Taiwan e grupos de ajuda do país também sedispuseram a enviar equipes de busca e resgate para a China, jácalejadas devido a um desastre semelhante ocorrido naquele paísem 1999. O governo chinês, no entanto, recusou a oferta. "Nós manifestamos nossa satisfação e nossa gratidão (frenteàs ofertas de ajuda). Os departamentos envolvidos e osdepartamentos de resgate recebem com satisfação a ajuda dacomunidade internacional e também desejam manter abertos oscanais de comunicação com os países e organizações relevantes",afirmou em uma entrevista coletiva Qin Gang, porta-voz doMinistério das Relações Exteriores da China. O líder da Coréia do Norte, Kim Jong-il, cujo país isoladointernacionalmente possui um programa nuclear que é alvo denegociações multilaterais realizadas em território chinês,enviou seus pêsames. "Espero que seu povo, sob a liderança do Partido Comunistada China, supere as marcas deixadas pelo desastre o quantoantes", afirmou em declarações divulgadas pela agêncianorte-coreana de notícias KCNA. Segundo Qin, a China, apesar do terremoto, continuavadisposta a enviar mais ajuda para Mianmar, país atingidorecentemente por um ciclone. O governo chinês já ofereceu cercade 5 milhões de dólares a Mianmar, onde cerca de 1,5 milhão desobreviventes do ciclone Nargis, que atingiu a região 11 diasatrás, enfrentam doenças e a fome. (Por Guo Shipeng, reportagem adicional de Isabel Reynoldsem Tóquio e Jon Herskovitz em Seul)

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