Noel CELIS / POOL / AFP
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China pede aos EUA que "não abusem da força"

Vaticano também emitiu anúncio, pedindo que a tensão seja reduzida na região

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2020 | 13h25

A China pediu aos Estados Unidos neste sábado, 4, "que não abusem da força" após o ataque no Iraque que custou a vida, entre outros, ao general Qasem Soleimani, arquiteto da política expansionista iraniana no Oriente Médio.

"A perigosa operação militar dos EUA viola as normas fundamentais das relações internacionais e agrava tensões e turbulências regionais", disse o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, ao seu colega iraniano, Mohamad Javad Zarif, durante uma conversa por telefone, segundo uma declaração publicada no site de seu ministério.

A China é um dos países que assinaram o acordo nuclear iraniano em 2015, do qual os Estados Unidos se retiraram unilateralmente em 2018, e um dos principais importadores de petróleo iraniano.

A China "se opõe ao uso da força nas relações internacionais. Meios militares, como pressão extrema, estão fadados ao fracasso", disse Wang, citado no comunicado.

No dia anterior, a China já havia manifestado preocupação com uma escalada entre o Irã e os Estados Unidos, e pediu calma após o ataque dos EUA.

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que decretou três dias de luto nacional na sexta-feira, pediu "vingança" pela morte do general Soleimani.

Vaticano pede para "reduzir tensão"

A morte do general iraniano Qasem Soleimani em um ataque dos EUA no Iraque mostra a necessidade de "reduzir a tensão" nesta região do mundo, disse o núncio apostólico no Irã, monsenhor Leo Boccardi.

O aumento da violência no Iraque "suscita preocupações e mostra como é difícil construir e acreditar na paz", disse Monsenhor Boccardi, citado pela agência de imprensa especializada da Vatican I-media, enfatizando que o mais importante era "reduzir a tensão".

"A boa política está a serviço da paz, toda a comunidade internacional deve se colocar a serviço da paz, não apenas na região, mas em todo o mundo", acrescentou.

O núncio, equivalente a um embaixador papal, destacou que o papa Francisco estava acompanhando a situação graças aos serviços diplomáticos do Vaticano na região.

Para este diplomata, é necessário "armar-se com outras armas", as de "justiça e boa vontade", para encontrar uma solução para o ressurgimento de tensões, segundo a mesma fonte. / AFP

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