China pede moderação aos dois lados

Governo e manifestantes de Mianmá devem evitar que problemas se agravem e afetem estabilidade regional, diz Pequim

O Estadao de S.Paulo

28 de setembro de 2007 | 00h00

O governo chinês, um dos poucos aliados de Mianmá (ex-Birmânia), afirmou ontem que está preocupado com a situação no país e pediu que tanto o governo como os manifestantes tenham calma. ''''Esperamos que todas as partes envolvidas ajam com moderação e lidem com os problemas atuais de uma maneira apropriada, para que eles não se tornem ainda maiores ou mais complicados'''', disse o porta-voz do Ministério do Exterior da China, Jiang Yu. ''''Assim, (os problemas) não afetarão a estabilidade de Mianmá e de toda a região.''''Durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, na quarta-feira, a China havia minado os esforços dos EUA e da União Européia para condenar oficialmente a violência no país. Com grandes investimentos em Mianmá, os chineses sempre vetam no CS a imposição de sanções contra o regime birmanês e a exigência de reformas políticas no país.O presidente americano, George W. Bush, criticou a violência contra os manifestantes em Mianmá e exortou autoridades chinesas a pressionar o governo birmanês. ''''Peço que todas as nações com influência sobre Mianmá se juntem a nós no apoio à população e pressionem a junta militar a interromper o uso da força contra seu próprio povo, que está expressando pacificamente seu desejo de mudanças.''''Bush também ordenou ao Tesouro americano que imponha novas sanções contra a junta militar de Mianmá, proibindo 14 altos funcionários do governo de realizar operações financeiras nos EUA e congelando seus investimentos no país. Entre eles estão o líder da junta, general Than Shwe, e seu braço direito, general Maung Aye.''''O mundo está acompanhando de perto o povo birmanês tomar as ruas e exigir liberdade. E os americanos são solidários com esses bravos indivíduos'''', afirmou Bush. Washington vem fazendo campanha há anos por uma reforma política em Mianmá e para que o governo liberte a Nobel da Paz de 1991, Aung San Suu Kyi, política birmanesa mantida em prisão domiciliar há quatro anos. Sob condição de anonimato, um diplomata disse à agência de notícias Associated Press que foram deslocados mais soldados para vigiar a casa de Suu Kyi, na cidade de Rangum.PROPOSTA DE BOICOTEDiplomatas da União Européia também reagiram contra a repressão em Mianmá e disseram que estão estudando novas sanções econômicas contra o país. O vice-presidente do Parlamento Europeu, Edward McMillan-Scott, disse que outros países deveriam pedir à China que pressione o governo birmanês. Ele sugeriu uma ameaça de boicote à Olimpíada de Pequim, em 2008. AP, REUTERS E NEW YORK TIMES

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