REUTERS
REUTERS

China pede punição de manifestantes em Hong Kong

Pequim pede sanções contra ativistas ‘violentos’ que invadiram Parlamento e condena interferência de Trump

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2019 | 20h09

PEQUIM - A China condenou nesta terça-feira a invasão do prédio do Parlamento de Hong Kong, na segunda-feira, que qualificou como ato de “extremistas radicais”, e pediu “sanções penais para os infratores violentos”. O governo também condenou a “interferência flagrante” nos assuntos internos do presidente dos EUA, Donald Trump, que disse que os manifestantes querem “democracia”. 

Em mensagem forte, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, assegurou que os EUA não devem “apoiar aqueles que recorrem à violência e violam a lei”. Na segunda-feira, depois de algumas semanas de relativa calma, manifestantes invadiram o Conselho Legislativo (LegCo), o Parlamento de Hong Kong. 

Os manifestantes removeram a bandeira chinesa do mastro e a substituíram por uma negra com a imagem de uma bauínia, flor que é o emblema de Hong Kong. Dentro do edifício, apagaram com spray todas as referências à República Popular da China.

“Isso tem um significado simbólico importante que desagradou a Pequim e eles devem estar muito descontentes com o fato de a chefe do Executivo, Carrie Lam, não controlar a situação”, disse Ho-Fung, especialista em política de Hong Kong da Johns Hopkins University.

Para Pierre Cabestan, professor da Universidade Batista de Hong Kong, o comunicado de Pequim representa uma ordem para que o governo de Hong Kong atue com dureza contra os manifestantes. A intensidade sem precedentes dos protestos também dará a Pequim “uma razão para ser muito mais atuante e mais repressivo” com relação a Hong Kong, acrescentou.

O Parlamento de Hong Kong tem sido o centro das manifestações nas últimas semanas contra um projeto de lei do governo para autorizar extradições para a China continental. A crise se agravou na segunda-feira, no 22.º aniversário da devolução do território semiautônomo à China, em 1997. Os manifestantes exigem a retirada definitiva do projeto de lei, a renúncia da chefe de Lam e o fim das ações judiciais contra opositores presos.

Há meses, as manifestações refletem o medo da população de Hong Kong com relação à crescente influência do governo chinês e do declínio das liberdades na antiga colônia britânica. Embora Hong Kong tenha sido devolvida para a China há 22 anos, o território ainda é administrado sob o lema “um país, dois sistemas”.

Lam condenou ontem o “uso extremo da violência” por parte dos manifestantes que ocuparam e saquearam o Parlamento, um ato considerado como um desafio sem precedentes à autoridade de Pequim e ao presidente chinês, Xi Jinping. A tropa de choque retomou nesta terça-feira o controle do Legislativo.

O governo chinês condenou a pilhagem e pediu às autoridades locais que lancem uma investigação criminal contra os autores da violência. “Esses atos graves e ilegais atropelam o Estado de Direito em Hong Kong, comprometem a ordem social e minam os interesses fundamentais do território”, disse Pequim. 

“A China já havia avaliado que Hong Kong era ingovernável depois da Revolução dos Guarda-Chuvas, de 2014”, disse Hung. “Na época, houve prisões em massa e eles esperavam que a sociedade civil ficasse paralisada.” / AFP e W.POST    

Tudo o que sabemos sobre:
Hong KongChina [Ásia]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.