China pede que EUA cancelem entrega de Medalha ao Dalai Lama

Para governo chinês, Dalai Lama é um refugiado político que tenta separar o Tibete em nome da religião

Efe,

15 de outubro de 2007 | 02h48

Pequim solicitou a Washington que cancele a cerimônia de entrega da Medalha de Ouro do Congresso americano ao Dalai Lama, marcada para o dia 17 de outubro, informou nesta segunda-feira, 15, a agência oficial Xinhua. O reconhecimento ao Dalai Lama e a presença de líderes americanos na cerimônia "pisoteia seriamente as normas das relações internacionais, fere os sentimentos do povo chinês e é uma forte interferência nos assuntos internos da China", afirmou o porta-voz do Ministério de Exteriores, Liu Jianchao. "A China se sente profundamente ofendida e se opõe completamente. Solicitamos aos Estados Unidos que corrijam o erro, cancelem seus planos e deixem de se intrometer nos assuntos internos chineses", acrescentou. Liu afirmou que o Tibete é uma parte inalienável do território chinês e que Pequim se opõe absolutamente a idéia de que outro país ou outro povo utilize a figura do Dalai Lama para exercer influência em seus assuntos internos. "As palavras e as atitudes do Dalai Lama em todos estes anos mostraram que ele é um refugiado político que tenta separar o país em nome da religião", disse Liu. No último dia 11, a Casa Branca anunciou que o Congresso dos Estados Unidos agraciaria o Dalai Lama com a Medalha de Ouro no próximo dia 17 e, apesar da oposição de Pequim, o presidente americano, George W. Bush, assistirá à cerimônia e se reunirá, um dia antes, com o líder religioso. A China também expressou sua forte oposição ao encontro do Dalai Lama com a chanceler alemã, Angela Merkel, que ocorreu em Berlim, em setembro. Por este motivo, Pequim anunciou no último domingo que cancelará as conversas sobre direitos humanos programadas para dezembro entre China e Alemanha, embora a porta-voz do Ministério de Exteriores Jiang Yu tenha se negado a dar mais detalhes sobre as razões que levaram a esta decisão.

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