China planeja ampliar mercado de títulos para financiar urbanização, dizem fontes

A China planeja grande reforma no mercado de títulos de dívida para levantar recursos que o Partido Comunista precisa para um programa de urbanização de 40 trilhões de iuanes (6,4 trilhões de dólares) para balizar o crescimento econômico e fechar um abismo entre a parte urbana rica do país e os pobres das áreas rurais.

NICK EDWARDS E BENJAMIN KANG LIM, Reuters

01 de março de 2013 | 11h26

O partido pretende trazer 400 milhões de pessoas para as cidades ao longo da década seguinte, a medida que a nova liderança do presidente em espera Xi Jinping e do premier designado Li Keqiang procuram transformar a China em uma potência mundial rica com o crescimento econômico gerado por uma classe de consumidores ricos.

O desenvolvimento urbano será financiado por uma grande expansão dos mercados de dívida, disseram à Reuters fontes ligadas à liderança do país e um executivo sênior de um dos "quatro grandes" bancos estatais da China, que já fez parte do banco central.

"O movimento para a urbanização vai incentivar a agenda da liberalização no mercado de capital", disse o executivo do banco, na condição de anonimato. "A urbanização é um projeto grande de Li Keqiang. Ele tem que fazer isso corretamente e ele está disposto a buscar a inovação para torná-lo um sucesso."

Previsto para ser confirmado como premiê no final da reunião anual do parlamento da China, que começa na próxima semana, Li deve encontrar maneiras de pagar para o desenvolvimento urbano, que ele fez uma prioridade política.

Governos central e local, bem como empréstimos bancários, irão financiar os custos, disseram as fontes. Mas, amplas reformas para criar um mercado de títulos municipal em pleno funcionamento, aumentar a emissão de títulos corporativos e de alto rendimento e ativamente orientar o capital estrangeiro no setor, são cruciais para aumentar as somas de dinheiro que a China vai precisar, acrescentaram.

Apesar da sua classificação como a segunda maior economia mundial, depois de três décadas de crescimento estelar, a China continua a ser um país de renda média aspirante dividida com a desigualdade e dependente de investimento apoiado pelo Estado.

"Se continuarmos a caminhar no caminho de gastos do governo, será como usar sapatos novos, mas andar pela estrada velha", disse uma fonte ligada à liderança do país, pedindo anonimato para evitar repercussões sobre falar com imprensa estrangeira sem autorização.

(Reportagem adicional de Victoria Bi e Aileen Wang)

Tudo o que sabemos sobre:
CHINAINFRAESTRUTURAURBANISAO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.