China planeja investimento na Coreia do Norte

A China segue com seus planos de investir em uma zona de livre comércio de 500 mil metros quadrados em Rason, na Coreia do Norte, em um sinal de que os recentes testes nucleares realizados pelo governo norte-coreano não afetaram os laços econômicos e diplomáticos com os chineses, seus únicos aliados.

HONG KONG , O Estado de S.Paulo

02 de março de 2013 | 02h05

Apesar de o governo chinês não ter declarado publicamente se os testes atômicos prejudicaram ou não seus planos de investimento na zona econômica, uma autoridade do escritório administrativo conjunto, responsável pelo projeto, disse ontem à agência Reuters que todos os investimentos chineses anteriormente anunciados para o local continuam encaminhados, incluindo uma linha de transmissão de energia de quase 100 quilômetros, que amenizaria a falta de eletricidade na Coreia do Norte.

"Todas as pessoas do escritório administrativo ainda estão trabalhando como de costume. Se houvesse qualquer grande impacto (dos testes nucleares), você acha que ainda estaríamos aqui?", afirmou por telefone o funcionário da zona econômica de Rason, que fica perto da tríplice fronteira entre Coreia do Norte, China e Rússia. "Todos os trabalhos estão ocorrendo como planejado."

Cerca de 60 chineses e norte-coreanos trabalham no escritório administrativo. O número, no entanto, pode crescer com o lançamento de mais projetos, de acordo com o funcionário, que não quis ser identificado por não estar autorizado a falar com a imprensa.

A China e a Coreia do Norte estabeleceram em conjunto um comitê para administrar Rason em outubro e coordenar o planejamento, a construção e o desenvolvimento da zona econômica, também conhecida como Ranjin-Songbong, um dos projetos de maior evidência do país.

Testes nucleares. Em fevereiro, a Coreia do Norte conduziu seu terceiro teste nuclear, o que causou uma condenação global e um alerta dos EUA de que a ação era uma "ameaça" e uma "provocação".

A economia em frangalhos e o isolamento da Coreia do Norte fazem da China a mais sólida base de apoio do regime de Pyongyang. Embora o governo chinês tenha manifestado publicamente irritação com o comportamento belicoso dos norte-coreanos, Pequim ainda não abandonou seu apoio ao país vizinho.

"A China tem relações normais com a Coreia do Norte. Realizaremos comércio e trocas econômicas normais com os norte-coreanos", disse ontem o porta-voz da chancelaria chinesa, Hua Chunying, quando questionado se Pequim continuaria a trabalhar com o governo de Pyongyang para desenvolver zonas econômicas especiais, apesar do teste nuclear.

"Ao mesmo tempo, a China se opõe aos testes nucleares e segue firme em sua posição de promover a desnuclearização da Península Coreana", declarou Hua. / REUTERS

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