China pode ter mil crianças escravizadas em olarias

Vigia da fábrica acidentalmente mata criança e enterra seu corpo à noite, diz TV

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

Até mil crianças chinesas podem ter sido vendidas para o trabalho escravo na China central, sendo submetidas a mutilações e brutalidade em primitivas olarias, disse a imprensa estatal nesta sexta-feira, 15. Cães e capangas vigiavam as olarias, semelhantes a prisões, nas Províncias de Shanxi e Henan. Um dos vigias acidentalmente matou uma criança com uma pá e enterrou seu corpo durante a noite, segundo a imprensa. Os operários, a maioria garotos, alguns seqüestrados em diversos pontos do país, foram mostrados na TV dormindo sobre tijolos dentro das olarias, com as portas e janelas fechadas por fora para impedir sua fuga. Alguns rapazes tinham terríveis feridas supuradas em seus pés enegrecidos e em torno da cintura, provavelmente queimaduras no trabalho no forno da olaria. "Queríamos fugir, mas não podíamos. Eu tentei uma vez e me bateram", disse um menino. De acordo com a agência Xinhua, uma operação que envolve 35 mil policiais no centro da China resgatou 468 pessoas após vistoriar 7,5 mil olarias. Cerca de 120 suspeitos foram presos. "Nossa estimativa conservadora é de que pelo menos mil menores de Henan foram presos e induzidos a esse trabalho de quebrar as costas nestas olarias de Shanxi", disse um jornalista de Henan no programa de atualidades Horizonte Oriental, que mostrou trabalhadores depois do resgate - esfarrapados, emaciados e mudos, alguns machucados. A Xinhua disse que Yang Aizhi, uma mãe de 46 anos, foi uma das pessoas que alertaram para o caso. Seu filho de 16 anos sumiu em 8 de março, e ela ouviu dizer que ele poderia ter sido seqüestrado para trabalhar numa olaria. Yang foi a mais de 100 olarias em Shanxi e descobriu que "a maioria estava forçando crianças a fazer trabalho pesado" - algumas ainda com o uniforme da escola, relatou a mulher à imprensa local. Quando as crianças ficavam cansadas demais para puxar as carroças, eram açoitadas, contou ela. Apesar da operação policial, há críticas à indiferença das autoridades pelas famílias pobres. A imprensa local diz haver um abaixo-assinado de pais de meninos seqüestrados em Henan acusando a polícia de Shanxi de não ajudar as autoridades de Henan a localizar as crianças. "Somos fracos demais e nossas crianças enfrentam ameaças constantes à sua vida. Só podemos implorar ao governo", disse uma cópia do documento. O Diário do Povo, porta-voz do Partido Comunista, apontou uma aprovação tácita ou até a cumplicidade de governos locais, que "no momento estão afundados em enormes dívidas, de modo que são displicentes na administração e chegam a arrecadar rendas ilegalmente, causando instabilidade em áreas rurais".

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